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'Pânico' passa de todos os limites e aterroriza Panicats com novo quadro

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'Pânico' passa de todos os limites e aterroriza Panicats com novo quadro



Dizer que o programa Pânico, da Band, passou dos limites é quase uma redundância. Apesar da audiência praticamente nula, nas últimas semanas eles se envolveram duas polêmicas nas redes sociais. Primeiro mostraram um pênis ao vivo, em uma cena de claro assédio na TV aberta, e fazendo o apresentador e cria de Silvio Santos, Dudu Camargo, passar as mãos na genitália de dançarinas. Mas aparentemente, na corrida para fugir do traço de audiência vale absolutamente qualquer coisa. Segundo o colunista Flávio Ricco, do UOL, uma pessoa da direção do programa criou um quadro chamado “Churrasquíni”, em que as Panicats seriam vestidas em biquinis feitos de carne assada e oferecidas a moradores de ruas, para que eles comessem as peças.

A ideia, que segundo o colunista já recebeu o "sinal verde" para ser produzida no Rio de Janeiro, teria aterrorizado as Panicats, com toda razão. Essas garotas, todas na faixa dos 20 e poucos anos, são usadas como decoração e submetidas a todo tipo de humilhação por salários baixíssimos desde o surgimento do programa. E a coisa tem ficado cada vez pior à medida que a audiência vem caindo e a produção recorre a situações cada vez mais vexatórias que, via de regra, exploram as Panicats e seus corpos. Dessa vez, porém, não são apenas as jovens deslumbradas com a fama a serem exploradas. O programa quer humilhar e constranger também outro grupo ainda mais vulnerável: os moradores de rua. 

Ter um programa como o Pânico no ar em 2017 já é uma aberração inexplicável. Eles usam do que há de mais baixo no universo do entretenimento e mascaram de "politicamente incorreto". Machismo, homofobia, transfobia, racismo, xenofobia e outras diversas formas de preconceitos são perpetuadas sem constrangimentos, em troca de algumas risadas e uns pontos de audiência, tudo isso em uma emissora que goza de concessão pública

Todos os absurdos que esse programa já colocou no ar deveriam, no mínimo, ser questionados, mas expor funcionárias nesse nível e oferecer comida a uma pessoa faminta em troca de exploração não é nada menos que criminoso. Se esse quadro de fato for produzido, o programa mostra que passou há muito do "politicamente incorreto" e foi direto para a barbárie.