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Parto complicado de Serena mostra que não levam mulheres a sério em hospitais

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Parto complicado de Serena mostra que não levam mulheres a sério em hospitais

Imagem: Vinod Divakaran / Wikicommons

Serena Williams teve sua primeira filha, Alexis Victoria, em setembro do ano passado e viveu uma experiência um tanto traumática. A tenista contou à revista Vogue que, após dar à luz atravé, tentou repetidamente convencer médicos e enfermeiros de que estava sofrendo uma embolia pulmonar, mas que duvidaram dela até a coisa ficar séria. Serena tem tendência a ter embolia e teve um coágulo no pulmão em 2011 que quase a matou e toma anticoagulantes diariamente.

Parto complicado de Serena mostra que não levam mulheres a sério em hospitais

Serena e sua filha, Alexis, estampam a capa da Vogue

No dia 2 de setembro, um dia depois de ter passado pela cesariana, Serena sentiu uma familiar pontada no peito, seguida de falta de ar. Já fazia dois dias que ela não tomava seu remédio por causa do parto. Embolias são mais frequentes após cirurgias ou partos, e Serena, que já havia passado pelo problema, imaginou o pior. Ela alertou os enfermeiros e disse que precisava imediatamente de uma tomografia e de anticoagulantes. Segundo a publicação, um dos enfermeiros disse que a tenista estava "confusa" por causa de sua medicação, e a ignorou.

Serena insistiu e pediu para falar com um médico, que em vez de uma tomografia, sugeriu que fizessem um ultrassom nas pernas da tenista. Apenas depois que o ultrassom voltou negativo e os sintomas persistiam que a equipe médica decidiu fazer a tomografia. Como Serena temia, o resultado mostrou vários pequenos coágulos em seus pulmões. Ela imediatamente foi medicada e precisou passar por uma nova cirurgia para evitar novos coágulos.

Por causa da tosse severa que os coágulos causaram, Serena rompeu os pontos da cirurgia e precisou voltar ao centro cirúrgico. Lá eles descobriram que ela teve uma hemorragia na região abdominal, o que aumentou ainda mais o risco de embolia. A tenista passou seis semanas de cama, sem poder cuidar da filha recém-nascida.

A experiência de Serena ilustra muito bem como reclamações e sintomas de mulheres não são levados a sério. Diversas pesquisas mostram que existe uma discriminação séria contra mulheres em centros médicos. Nos Estados Unidos, uma mulher espera em média o dobro do tempo que um homem para ser atendida no pronto-socorro. Médicos acreditam que mulheres exageram seus sintomas e são mais sensíveis à dor, e isso faz com que elas recebam tratamentos paliativos até que a situação se torne crítica. 

E no caso de mulheres negras, como Serena, a situação é ainda pior. Experimentos cirúrgicos sem anestesia eram feitos com mulheres negras até a virada do século, e muitos médicos acreditavam que pessoas negras não sentiam dor do mesmo jeito que as brancas. Hoje em dia, mulheres negras recebem, em média, menos da metade das prescrições de remédios do que homens brancos. Serena já havia sofrido uma embolia e conhecia os sintomas. Se a equipe tivesse levado a tenista a sério, as complicações poderiam ter sido evitadas.

Esse machismo, aliado ao racismo, coloca a vida de mulheres em risco todos os dias. Muitas doenças graves que atingem mulheres, como a endometriose, passam anos sem serem diagnosticadas porque médicos acreditam que as reclamações de dor são exageros, invenções, ou apenas TPM. Isso mostra que machismo mata mulheres de várias formas diferentes.