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Projeto do PE contabiliza assassinatos de mulheres e acompanha andamento de casos

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Imagem: Reprodução/UmaPorUma
Imagem: Reprodução/UmaPorUma

Uma força-tarefa de 26 jornalistas do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), se reuniu para colocar em prática um projeto ambicioso: contabilizar e acompanhar os casos de todos os assassinatos de mulheres até o fim do ano em Pernambuco. A ideia veio de uma tentativa de chamar a atenção para o número alto de mortes de mulheres no Estado, que até o momento são 77. Entre eles, 17 feminicídios confirmados, ou seja, assassinatos motivados pelo gênero da vítima.

A iniciativa, que se chama 'Uma Por Uma', pode ser acompanhada diretamente no site, que entrou no ar neste domingo, dia 29 de abril. "Existe uma história para contar por trás de cada assassinato de mulher em Pernambuco. Uma por uma, vamos contar todas. Mapear onde as mataram, as motivações do crime, acompanhar a investigação e cobrar a punição dos culpados. Um banco de dados virtual, com os perfis de vítimas e agressores, além dos trágicos relatos que extrapolam a fotografia da cena do crime. Entender como e por que aquelas mulheres chegaram até ali. Para ajudar a prevenir e, principalmente, salvar vidas", diz o site.

Projeto do PE contabiliza assassinatos de mulheres e acompanha andamento de casos

Dentro do site, é possível clicar na foto (ou ilustração) que representa cada uma das mortes, que envolvem de adolescentes até idosas. A narrativa começa com Sibelly Carla, de 14 anos, que morreu nas primeiras horas do ano. No último contato que teve com a mãe, pelo celular, Sibelly disse que estava tudo bem, mas a mãe conseguia ouvir sons de briga e objetos se quebrando ao fundo. "Ele está bêbado, daqui a pouco eu ligo para a senhora", disse a adolescente, que nunca mais retornou. Ela foi encontrada morta a facadas, na própria cama. O namorado, que confessou o crime, alegou que foi um acidente. Segundo site do projeto, a última movimentação do caso foi no dia 11 de janeiro, na conclusão do inquérito. O próximo passo é a denúncia do Ministério público.

Projeto do PE contabiliza assassinatos de mulheres e acompanha andamento de casos

Além do feminicídio, a iniciativa também registra outros tipos de assassinatos, como os causados pelo tráfico, homicídios comuns e latrocínios, mas a maioria deles, apesar de não registrados como feminicídios, remetem ao machismo. Coordenadora do projeto, a jornalista Ciara Carvalho disse em uma entrevista ao SBT que a ideia surgiu a partir do alto número de casos de violência contra a mulher registrados no Estado. "Não podemos deixar que esqueçam o porquê dessas mortes. É sobre elas e para elas que a gente está fazendo esse trabalho", explicou a jornalista.