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Saiba como ajudar uma vítima de violência doméstica

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Saiba como ajudar uma vítima de violência doméstica

Ellen Cardoso virou notícia ao ser agredida pelo marido, o cantor Naldo (Imagem: Instagram)

No começo de dezembro, o cantor Naldo foi preso em casa, acusado de agredir sua mulher, a dançarina Ellen Cardoso, com chutes, socos e puxões de cabelo. Ellen fez exame de corpo de delito e saiu de casa. A polícia fez buscas na residência do cantor, encontrou uma arma e o prendeu por porte ilegal, mas Naldo foi solto após pagar fiança. Dias depois, ele postou um vídeo nas redes sociais chorando e dizendo que havia mudado. 

Em um post cheio de franqueza e dor, Ellen escreveu no Facebook que abriu mão da carreira e dos amigos para não causar atritos com Naldo, que tinha constantes crises de ciúme, mas ao mesmo tempo pede que as pessoas compreendam que ela tem com ele uma família e uma história. "Respeitem o nosso momento, está sendo muito difícil para todos nós. Não julguem sem nos conhecer, por trás de tudo isso existem pessoas igual a você, uma família que sofre, uma filha que chama pelo pai, cheia de saudade [sic]", diz o texto.

Mas imediatamente as pessoas se apressaram em julgar, e consequentemente, Ellen passou a ser o foco das críticas e da discussão. Pessoas por todo lado passaram a chamá-la de conivente, de burra, de "mulher de bandido", de interesseira e daí pra pior. Isso é muito revoltante e muito recorrente. A nossa cultura nos treina para focar sempre a acusação na mulher e, de repente, um caso de homem que cometeu um crime grave passa a ser sobre o que a mulher está fazendo de errado e o que deveria fazer para resolver a situação. E isso acontece mesmo entre feministas.

O dilema de Ellen é muito comum, e é uma parte das histórias de abuso e violência doméstica que as pessoas não discutem de maneira empática. É muito fácil para quem está de fora decidir que a vítima precisa deixar o agressor imediatamente. E é compreensível que haja uma urgência nesse aspecto, principalmente porque em casos de violência doméstica existe um enorme potencial para a agressão escalar para um assassinato. Mas a situação de quem vive o problema dentro de casa é muito mais complexa. Existe o aspecto econômico, psicológico e social que as pessoas de fora geralmente ignoram, sem contar os casos em que a vítima e seus filhos sofrem ameaçadas de morte. O abusador causa na vítima uma dependência emocional que não é nada fácil de ser quebrada, e fazer acusações a ela só piora a situação.

Em 2013 eu assinei uma série de reportagens sobre violência doméstica para o jornal Diário de São Paulo. Visitei congressos, entrevistei vítimas, familiares, amigos, delegadas, psicólogas e outros profissionais da área, e uma coisa é um consenso entre todos eles: sair de um relacionamento abusivo não é fácil, e tentar decidir pela vítima o que é melhor para ela não ajuda em nada. Por isso, seguem aqui algumas dicas, todas baseadas em orientações profissionais, de como ajudar da melhor maneira possível uma pessoa que convive com esse problema.

1 - Se notar que uma mulher tem sofrido abuso em casa, fale com ela. Diga que você percebeu que algo está errado e ofereça carinho e atenção. Sempre escute mais e fale menos.

2- Por mais que a história seja difícil de ouvir, não demonstre choque ou indignação. Sua amiga pode se sentir julgada.

3 - Se presenciar uma violência acontecendo, chame a polícia imediatamente no 190. 

4 - Se souber de qualquer caso de violência contra a mulher, ligue para o 180, que é a Central de Atendimento à Mulher. Lá eles têm estrutura para orientar vítimas e testemunhas, e enviam as denúncias direto para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado.

5 - Não se precipite em dizer o que a mulher deve ou não fazer. Lembre-se: ela é uma pessoa que perdeu sua autonomia. Dar ordens a ela é contribuir com a privação de poder que ela vem sofrendo e com sua autoestima dilapidada. 

6 - Em vez disso, ofereça apoio para que ela saiba que terá a quem recorrer caso precise.

7 - Explique que ela tem o poder para sair da situação de violência. Diga que vai junto com ela à delegacia da mulher se ela quiser prestar queixa. 

8 - Ajude-a a encontrar um lugar para se abrigar e aos filhos (se ela tiver), caso ela deixe o agressor.

9 - Se ela não se sentir segura para ir à delegacia, convide-a para visitar um grupo de ajuda. Geralmente, universidades e faculdades têm projetos que podem prestar apoio. Em São Paulo, a Unifesp tem profissionais que podem ajudar.