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Saúde Mental: 'Self Care' não é o que você pensa que é

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Saúde Mental: 'Self Care' não é o que você pensa que é

A nossa relação com a saúde mental ainda é bastante complicada, e existe muito estigma em torno de doenças e distúrbios mentais. Ainda assim, as coisas estão mudando. Os millennials, geração que nasceu a partir dos anos 80, são o grupo que mais procura terapia e tratamentos para problemas psicológicos. A internet e as redes sociais ajudam a diminuir o preconceito e a informar as pessoas sobre esses assuntos, o que é ótimo. A maneira como as pessoas lidam com isso, no entanto, ainda pode ser muito problemática. O chamado "self care", ato de tirar um tempo para cuidar de si, tem se popularizado, mas as pessoas parecem ter ideias bastantes distintas do que é self care.

Apoiadas somente em frases de efeito e memes sem profundidade, as pessoas tendem a interpretar como querem o self care. Só que algumas das práticas adotadas e incentivadas podem piorar o estado mental de pessoas depressivas, ansiosas ou com outros problemas psicológicos e emocionais. Deixar de sair de casa, abandonar as responsabilidades, não levantar da cama por um dia inteiro ou se afastar de amigos e família são coisas que podem acontecer com pessoas que sofrem de depressão, mas não são comportamentos que devam ser incentivados. Só porque uma coisa é mais fácil de fazer, não significa que é o melhor a se fazer.

Em vez de usar o self care como desculpa para justificar comportamentos nocivos, uma atitude muito mais saudável é pensar em como bons pais e mães cuidam de seus filhos. Deixar que as crianças vejam TV e comam comida processada o dia inteiro está longe de ser um cuidado ideal. Adultos, assim como crianças, precisam de uma alimentação saudável, exercícios físicos, sol, hidratação e higiene. E quando uma criança está doente, os pais a levam no médico para que ela seja diagnosticada e tratada corretamente. A mesma lógica serve para todos, mesmo adultos. Quando uma pessoa adulta não consegue cuidar de si, é hora de procurar ajuda.

A internet não substitui psicólogos e terapeutas, e ninguém deve seguir cegamente os conselhos que lê nas redes sociais. A primeira coisa a fazer no caso de suspeita de doenças mentais é procurar profissionais especializados. Nada de confiar em testes do Buzzfeed para obter um diagnóstico. Doenças mentais são muito complexas e diferentes entre si, e muitas delas têm sintomas semelhantes mas tratamentos bem diferentes. A automedicação é muito comum e perigosa, e ninguém nunca deve tomar remédios prescritos para outra pessoa. Por isso um diagnóstico correto é o mais importante.

E sim, tratamentos psicológicos podem ser muito caros, mas muitas universidades que têm cursos de psicologia e psiquiatria frequentemente oferecem tratamentos gratuitos. Muitas escolas já contam com psicólogos entre os funcionários e a saúde pública oferece algumas boas opções. Se você, um amigo ou alguém da sua família tem demonstrado sinais de depressão, procure postos de saúde, faculdades ou universidades, e converse com alguém de confiança.