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Vídeo analisa a masculinidade tóxica dos Jedi

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Vídeo analisa a masculinidade tóxica dos Jedi

Imagem: Montagem / Divulgação

O canal do Youtube Pop Culture Detective já é bastante conhecido por fazer análises profundas de obras da cultura pop, como séries, filmes e jogos, focando principalmente na representação masculina e na imagem que a nossa sociedade projeta sobre o que é ser um homem. Apresentado pelo escritor e crítico Jonathan McIntosh, o canal já fez excelentes análises sobre temas controversos, como a masculinidade geek e a misoginia implícita em The Big Bang Theory, e o "romance predatório" dos personagens de Harrison Ford. Com a estreia de "Os Últimos Jedi", Jonathan aproveitou o tema e tocou em um ponto quase nunca comentado sobre a franquia Star Wars: a masculinidade tóxica dos Jedi.

Antes de tudo é bom esclarecer que a ideia não é dizer que ser homem, ou ser "masculino", é uma coisa tóxica. Na verdade, a análise é sobre um tipo específico de comportamento nocivo que é amplamente associado à imagem do homem na mídia, e de como isso afeta nossa visão do que é ser homem, ou "macho". Jonathan estuda comportamentos frequentemente retratados nos filmes e analisa como essas ideias podem passar mensagens negativas, principalmente para crianças e adolescentes.

Quando falamos nos Jedi, a imagem que vem à mente é a do monge guerreiro, que é ao mesmo tempo poderoso e equilibrado. Os Jedi são calmos e teoricamente pacíficos, mas capazes de exercer violência extrema se provocados. A franquia, principalmente nos seis primeiros episódios, passa a ideia de que mesmo lutando contra as forças do mal, encarnadas na figura de Darth Vader e do Império, na verdade, o maior inimigo dos Jedi são suas emoções. O maior exemplo é Anakin Skywalker, que mais tarde se tornaria Darth Vader, e é apresentado desde o princípio como "emotivo demais", e chega a ser rejeitado pelo Conselho Jedi exatamente por causa disso. 

O vídeo argumenta que os sentimentos de Anakin, uma criança que sente falta de sua mãe, que ele deixou para trás na escravidão, são totalmente compreensíveis e normais, mas em vez de encontrar o apoio emocional dos mestres Jedi, ele é publicamente repreendido por admitir esses sentimentos. "Isso acontece porque o desprendimento emocional é valorizado acima de tudo na Ordem Jedi. Jovens Jedi são instruídos a eliminar todas as conexões emocionais com as pessoas de quem eles gostam", explica Jonathan. E não é só a trilogia prequela que tem esses problemas. a filosofia Jedi é a mesma nos seis episódios. Em "O Império Contra-Ataca", por exemplo, Luke é instruído pelo espírito de Obi-Wan Kenobi a "enterrar fundo seus sentimentos".

Essa ideia de que meninos devem enterrar seus sentimentos e se tornar durões em silêncio é amplamente difundida na nossa cultura ocidental, junto com a noção de que "meninos não choram". "Na franquia, chorar é mostrado como uma perigosa perda de controle, e sempre que vemos Anakin em lágrimas, é para mostrar a fraqueza de seu caráter, e comunicar para o espectador que ele está sendo seduzido pelo Lado Obscuro", diz o vídeo. "Diferentemente da crença popular, enterrar seus sentimentos não é uma prova de força. Força de verdade é ter coragem de pedir ajuda, de falar sobre seus sentimentos e de ser vulnerável na frente de outros, mas a ordem Jedi proíbe tudo isso", justifica Jonathan.

"Deixar jovens meninos abandonados emocionalmente é psicologicamente prejudicial e extremamente insalubre", argumenta o vídeo. E a própria franquia mostra a consequência disso. Enterrar as emoções desde muito pequeno é o que deixa Anakin despreparado para lidar com a dor e com a perda, o que eventualmente o leva ao Lado Obscuro. Luke, por sua vez, encontra a Ordem Jedi no fim da adolescência, ele teve uma infância relativamente normal e é capaz formar conexões fortes com Leia e Han. Sempre que é instruído a enterrar seus sentimentos e a esconder emoções, Luke questiona seu papel e até desobedece as ordens, escolhendo sempre ajudar seus amigos. É essa independência emocional que faz com que Luke resista ao Lado Obscuro.

Por trás de toda essa filosofia de enterrar emoções a todo custo, está uma clara mensagem de que relacionamentos afetivos devem ser evitados, e acima de tudo, relacionamentos com mulheres. Anakin é rejeitado porque sente falta da mãe, e mais tarde é seduzido pelo lado obscuro por tentar proteger Padmé Amidala. Luke escuta repetidamente que sua conexão com Leia é o que o enfraquece, e ela chega a ser usada para chantageá-lo. "Essa mensagem, de que mulheres são o catalizador da perda de controle masculina, é parte de uma visão de mundo profundamente sexista", explica Jonathan. E tudo isso, associado ao fato de que, antes de Rey, os Jedi eram amplamente dominados por homens, com apenas algumas mulheres Jedi aparecendo ao fundo nos episódios l, ll e lll, mas sem nenhuma fala ou papel na trama, reforça a noção de que mulheres são um problema em potencial. Ainda bem que as coisas estão mudando nos novos episódios, com a presença de Rey, uma maior diversidade e a franquia finalmente questionando os Jedi e a própria Resistência.

Confira o vídeo completo, com muito mais informações, fontes e argumentos. O YouTube opções de legendas em inglês e traduzidas para o português, é só clicar na opção que aparece no canto esquerdo abaixo da tela.