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Com mulher no comando, revista National Geographic admite passado racista

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Com mulher no comando, revista National Geographic admite passado racista
A capa da nova edição da revista trás as irmãs gêmeas que mexeram com a conversa sobre raça

Mulheres estão mudando a conversa sobre representatividade nas grandes empresas. Depois de mais de 130 anos de história, apenas em 2014 a revista National Geographic colocou uma mulher no cargo de editora chefe. Susan Goldberg, que também é a primeira judia no comando da revista, começou as mudanças logo que foi contratada, e ganhou diversos prêmios pela linha editorial mais diversa. Em janeiro de 2017 a revista ficou entre as finalistas do prêmio Pulitzer pela reportagem especial "Gender Revolution", que fez um recorde sensível das relações entre mulheres ao redor do mundo. Este ano, ela assina um editorial ainda mais histórico, admitindo seu passado racista com uma análise sincera e autocrítica da jornada da publicação.

Com mulher no comando, revista National Geographic admite passado racista

Com o título "Por Décadas, Nossa Cobertura Foi Racista", o artigo assinado por Susan vai direto ao ponto. "Até os anos setenta, a revista basicamente ignorou pessoas não brancas que viviam nos Estados Unidos, raramente identificando-as como algo além de trabalhadores ou empregados domésticos". Além disso, a revista também endereça uma antiga crítica às fotografias: a romantização, objetificação de pessoas de diferentes etnias ao redor do mundo. "Nós pedimos que John Edwin Mason nos ajudasse com esse exame".

Ele afirma que os indígenas de diferentes lugares do mundo eram retratados como "exóticos" ou como "caçadores felizes e nobres selvagens". "Todos os tipos de clichês."

O editorial é intitulado For Decades, Our Coverage Was Racist (por décadas, nossa cobertura foi racista). Assinado pela editora-chefe da revista, Susan Goldberg, aborda o olhar etnocêntrico branco e carregado de clichês que teve no passado.

A National Geographic contratou para este número os serviços de John Edwin Mason, um acadêmico da Universidade da Virgínia especializado em história da fotografia e africana. Sua tarefa era revisar exemplares antigos da revista, fundada em 1888 em Washington, e avaliar sua abordagem do ponto de vista racial e étnico.