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Tan fala sobre questão racial em "Queer Eye" e conta que se revoltou contra produção do reality

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Imagem: Netflix
Imagem: Netflix

"Queer Eye" é o reality show do momento. Uma versão mais moderna do hit "Queer Eye For The Straight Guy", que foi ao ar de 2003 a 2007, a nova produção da Netflix tem cinco protagonistas pra lá de carismáticos, e trata de temas mais políticos e engajados. Mas nem tudo foi perfeito no programa. Tan France, o expert de moda do reality e um dos dois únicos não-brancos do elenco, conta que foi chamado de terrorista por dois dos participantes, por causa de sua origem paquistanesa. Além disso, Tan revela que ele e Karamo, o coach de cultura do programa que é negro, não estavam sabendo da pegadinha que acontece no terceiro episódio, quando um policial para o carro da produção com eles dentro.

Karamo é parado por um policial durante as gracações
Karamo é parado por um policial durante as gracações

"O que passou pela minha cabeça foi 'será que eles vão pedir pra eu e Karamo descermos do carro?', porque uma vez que você está fora do carro, você está com problemas", contou Tan ao programa semanal da página "Strong Opinions Loosely Held", no Facebook. "Na hora, o Johnathan [outro participante do reallity], disse 'eu não quero que ele leve um tiro', e todos nós ficamos muito tensos, foi uma situação muito real", explicou Tan, que revelou que mesmo que a equipe de produção soubesse da pegadinha, os apresentadores não faziam ideia.

Quando o policial revela que está participando do programa, os cinco riem aliviados e Tan grita: "Vocês não podem fazer isso com pessoas de pele escura". Mesmo a cena tendo passado a impressão de que foi tudo uma grande zoeira que não ofendeu ninguém, Tan conta que nos bastidores não foi bem assim. "Eu e Karamo estávamos fumegando de raiva, falamos que aquilo nunca mais poderia acontecer novamente. Vocês não podem fazer isso, vocês não sabem o que é ser uma pessoa não branca e ser parado por um policial. No dia seguinte nós nem quisemos filmar", desabafou Tan.

Um policial parando um carro pode até não parecer uma situação tão séria para nós, mas nos Estados Unidos acontecem inúmeros casos de violência policial contra pessoas negras desarmadas. No ano passado, um policial matou um homem negro dentro de seu carro, na frente do filho e da mulher, que filmou tudo pelo celular. Em março deste ano, um jovem negro foi morto por policiais enquanto falava ao celular, no quintal da casa de sua avó. É só fazer uma rápida busca no google para encontrar dezenas de assassinatos nesses moldes, em que uma pessoa não-branca é vítima de um policial. O medo e a revolta dos apresentadores do reality era totalmente legítimo.

Além da questão da violência policial, Tan também falou sobre sua origem paquistanesa, e de como isso era percebido pelos participantes do programa, em sua maioria conservadores. "Dois dos nossos heróis perguntaram, 'Você é um terrorista?', e foi uma pergunta honesta da parte deles. Eles não estavam tentando fazer gracinha". Tan explica que é difícil lidar com esse tipo de situação, mas que tenta não perder a calma, porque se você responde ódio com ódio, no fim das contas não alcança ninguém. "Nosso programa é sobre construir essas pontes, e nós estamos encontrando muitos republicanos. O objetivo não é ser liberais contra conservadores, mas criar a oportunidade de ter um diálogo aberto. E nós não estamos falando apenas com essas pessoas. Estamos falando com todo mundo em casa que pensa essas coisas de gays, negros e pessoas do oriente médio".