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Tarantino pede desculpas por defender Roman Polanski em caso de estupro

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Tarantino pede desculpas por defender Roman Polanski em caso de estupro

Imagem: Creative Commons

As coisas não andam muito bem para o diretor Quentin Tarantino. Sua conivência com o comportamento Harvey Weinstein, amigo de longa data do diretor, foi bastante questionada no fim do ano passado. E mais ainda nas últimas semanas, com a revelação de que os dois pressionaram Uma Thurman a fazer uma cena arriscada sem dublês, causando um sério acidente que a deixou ferida e com sequelas. Em meio às polêmicas, a internet desenterrou também uma entrevista de 2003, na qual Tarantino defende Roman Polanski, condenado por estuprar uma menina de 13 anos, dizendo que estupro de vulnerável não é estupro, pois a menina "estava querendo". Diante da revolta coletiva, o diretor fez um pedido de desculpas.

"Quero pedir desculpas publicamente a Samantha Geimer (vítima de Polanski) pelos meus comentários impensados (...). Quinze anos depois, eu percebo o quanto eu estava errado. A senhorita Geimer FOI estuprada por Roman Polanski. (...) Eu incorretamente fiz o papel do advogado do diabo em um debate apenas para ser provocativo", escreveu o diretor. "Eu não levei os sentimentos da senhorita Geimer em consideração, e por isso sinto muito. Então, senhorita Geimer, eu fui ignorante, insensível, e sobretudo, incorreto".

Na época, Tarantino afirmou que estupro de vulnerável, que condena relações sexuais com pessoas incapazes de dar consentimento, especialmente crianças, não é realmente um estupro. "Ele não estuprou uma menina de 13 anos. Foi 'estupro de vulnerável', ele fez sexo com uma menor. Isso não é estupro. Pra mim, quando você usa a palavra 'estupro', você está falando sobre algo violento, jogar a pessoa no chão, um dos crimes mais violentos do mundo", disse ele.

Samantha Geimer, que foi estuprada por Polanski em 1977, deu uma entrevista ao Indie Wire aceitando o pedido de desculpas. "Acho que pedidos de desculpas têm um papel importante para ajudar a pessoa que foi injustiçada, e também ajudar a pessoa que errou. Eu frequentemente digo que não preciso de pedidos de desculpas, mas na verdade eles sempre têm um impacto positivo", disse ela.