A pizza que eu lembrarei

Orelha
Author Orelha
Collection Insatisfações

Hoje comi pizza e foi bastante satisfatório, certamente eu coma novamente, assim como já comi outras vezes. Entretanto, apenas essa virou história registrada e provavelmente, se assim não fosse, eu esqueceria.

Eu observo essa avalanche que tem sido o ano de 2018 e a única coisa que consigo pensar ao ver a forma como o povo brasileiro age, é forte inclinação a precipitação. Nós temos, enquanto nação, a incrível capacidade de agir movidos por emoção esperando conquistar uma transformação racional e isso é assustador.

Ora, o clichê motivacional já exaure a máxima de que “velhas atitudes não geram novos resultados”, mas ainda assim, insistimos em fazer. A palavra precipitação trás em sua carga etimológica da língua latina a idéia de anseio em jogar-se de cabeça, de lançar-se de uma elevação para o chão. Já no português, tem-se a idéia de pressa irrefletida, não ponderada.

Assim vive o brasileiro enquanto nação, joga-se num precipício esperando algo diferente da queda livre e violenta em direção ao chão. Sei que a primeira vista parece um exagero de exemplificação, mas imagine um cidadão brasileiro que no ápice de revolta com o sistema político decide votar num candidato, o palhaço analfabeto. Não enxergo outra coisa senão precipitação, é como furar o casco do barco esperando que impedir o naufrágio.

Mais profundamente, vemos que além desse forte viés positivo, o brasileiro não trabalha racionalmente, quando decide ter algo, quer a todo custo, mesmo que isso seja proporcionado por subsídios que onerem vários outros setores da sociedade. A irracionalidade é traduzida nessa pressa, envesti-se anos em práticas erradas e espera-se resolvê-las em uma greve, passeata ou protestos violentos.

O ápice resta-se demonstrado na recusa ao amadurecimento, somos um povo que não aprendemos com a nossa história, há quem clame pelo retorno da ditadura militar, há quem admire criminosos. O fato é que, não aprendemos com nossa própria história porque não sabemos fazê-la. A cada dois anos temos uma oportunidade ímpar de modificar a história e ainda assim insistimos em fazer piada elegendo palhaços.

Mas nada que um museu em chamas não gere uma onda emotiva até a próxima manchete. Quem sabe mais uma ruptura de barragem? Não importa, dia sete de outubro vamos ao precipício... digo, urnas fazer história e acreditar que tudo vai dar certo, afinal, deus é brasileiro, é o messias.

Não busco ser direto, preciso ou óbvio, não busco aplausos ou risadas, não vim pra trazer paz! Espero sinceramente que esse texto seja incomodo, amargo, bílis e que marque seu dia com a amargura da transformação. Não tema, se a amargura for forte demais, relaxe, pois assim como esse texto começou, seu desabor também pode terminar, pizza.

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