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É possível acreditar em candidatos que defendem Nicolás Maduro?

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Em 2017, durante o 23º Encontro do Foro de São Paulo, o PT, PDT e PC do B reafirmaram o apoio ao governo de Nicolás Maduro, juntamente com outros partidos que se colocam de esquerda.

Foto: Encontro do Foro de São Paulo | Fonte: Internet
Foto: Encontro do Foro de São Paulo | Fonte: Internet

A situação da Venezuela hoje, é crítica: super-inflação, desemprego, crise na economia (na qual Maduro direciona toda a culpa para a oposição e aos EUA), crise nas instituições, enfim, um caos generalizado.

E recentemente, tivemos por lá as eleições. As eleições venezuelanas não foram reconhecidas por 14 países, dentre eles o Brasil, porque foram identificados no processo eleitoral vários indícios de descumprimento dos pilares internacionais para um pleito democrático.

Estamos falando de uma abstenção de mais da metade da população da Venezuela, 54% dos cidadãos não foram votar, quebra do pilar internacional da maior participação do povo, sendo encarado como um boicote da população, visto que em 2013, última eleição, 80% foram às urnas.

Mas não é só isso, estamos falando de dois dos principais candidatos de oposição impedidos de concorrer, sendo um preso, Leopoldo López, por supostamente incitar a violência contra Maduro, e outro, Henrique Capriles, impedido por 15 anos de concorrer por uma canetada da Corregedoria Geral da República. Apenas 4 candidatos, já contando com Maduro, concorreram, o que também vai de encontro ao pilar da livre concorrência de candidaturas.

Foto: Leopoldo López | Fonte: Internet
Foto: Leopoldo López | Fonte: Internet

Estamos falando de um governo que, responsável pelo controle dos principais veículos de comunicação, usou e usa este poder para desqualificar a oposição, outro pilar do pleito democrático que foi atacado.

Falando, de um governo que antecipou intencionalmente o processo eleitoral previsto para dezembro, para maio deste ano, sem prévio aviso, infringindo outro pilar do padrão internacional, o que complicou ainda mais a vida da oposição pelo despreparo, e pegou de surpresa também a população.

Foto: Henrique Capriles | Fonte: Internet
Foto: Henrique Capriles | Fonte: Internet

E o mais grave de tudo, de um governo que comprou votos a luz do dia, dos apenas 46% que foram votar, boa parte destes foram induzidos ao voto, com o governo financiando o transporte dos votantes pró Maduro, oferecendo para quem fosse votar 13 dólares de prêmio, isto é, 10x o salário mínimo atual dos venezuelanos, o que fez com que muitos aceitassem devido a situação em que estão.

Outros muitos aceitaram para poderem se manter nos programas sociais ameaçados caso não apoiassem Maduro, em um processo no qual o voto era inclusive monitorado por postos governamentais, os pontos vermelhos, que pediam o "carnê da pátria" e o utilizavam para controle, feito até mesmo dentro dos locais de votação.

Foto: Senhora venezuelana segurando "Carnê da Pátria" | Fonte: Internet
Foto: Senhora venezuelana segurando "Carnê da Pátria" | Fonte: Internet

Diante de tudo isso, fica aqui a pergunta: como podemos acreditar em discursos de partidos que se colocam majoritariamente a favor deste governo venezuelano, reconhecendo Maduro como presidente do país e defendendo a legalidade deste processo eleitoral, sendo que, em contrapartida, afirmam que o atual governo brasileiro, de Michel Temer, assumiu a gestão por meio de um golpe?

Foto: Nicolás Maduro | Fonte: Internet
Foto: Nicolás Maduro | Fonte: Internet

Convenhamos, não parece fazer muito sentido criticar um intitulado "golpe" ocorrido no Brasil, e defender outro, na Venezuela, só por causa de ideologia partidária.