2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

2017 e 2013: Os protestos de rua perderam força?

O que aconteceu na rua em quatro anos? Depois do impeachment, não há mais força política? O aumento de tarifas não importa mais? Fomos massa de manobra?

Todo repórter que cobre rua tem histórias diferentes pra contar. Em 2013, minhas opiniões eram mais centristas, embora eu tivesse um flerte com a esquerda que se manifestou contra a crise americana desde 2008. Eu fui em poucos protestos naquele ano. Mas vi a coisa ganhar um corpo descomunal quando a repórter Giuliana Vallone (Folha de S.Paulo) e o fotógrafo Sérgio Silva foram acertados por balas de borracha no exercício da sua profissão. O ataque a esmo da Polícia Militar de São Paulo, que reprimia de maneira indiscriminada os protestos de esquerda e anarquistas contra o aumento das passagem, atingiu a grande mídia e incendiou o país.

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500 mil pessoas, um milhão de pessoas, dois milhões. Era este o montante da população que tomava as ruas naquela época e não dava sinais de que iria parar.

2014 foi um baque. A esquerda tem uma relação contraditória com o PT e só parte dela protestou contra as obras superfaturadas da Copa do Mundo. A direita foi gritar gol e chamar Dilma Rousseff de vagabunda. A Copa aconteceu e o 7x1 da Alemanha no Brasil rolou. Fomos humilhados no campo, a corrupção estatal e privada comeu solta, mas o maior evento futebolístico do mundo aconteceu no nosso país. Os protestos das Jornadas de Junho de 2013 perderam força.

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Embalados no começo de 2016 pela grande mídia, concentraram milhões de pessoas na Avenida Paulista e em cidades do Brasil inteiro. Contra eles, o próprio ex-presidente Lula começou a andar pelo país. Esquerda e direita retomaram até as ruas, mas num clima de polarização extremada. Dilma caiu, golpeada por um impeachment, e Temer assumiu para adotar um programa econômico de cortes no Bolsa Família, na aposentadoria e nos direitos de trabalhadores, favorecendo os ricos na maior crise econômica do Brasil democrático.

Em 2017 chegamos em frangalhos. A esquerda tenta mobilizar as rua e as redes sociais, enquanto a direita, sobretudo o MBL, emplaca candidatos por partidos de base de Michel Temer, como DEM, PMDB e PSDB. Metaforseando manifestações legítimas numa onda antipetista que tomou os grandes meios de comunicação, os protestos de rua foram manipulados e esvaziados em oito anos. Até os viúvos da ditadura militar se juntaram com a marcha.

Nas lideranças de movimentos de defesa de moradia, o líder do MTST Guilherme Boulos chegou a ser preso neste ano. O Movimento Passe Livre, que surgiu em Porto Alegre e ganhou força em 2013, não consegue reunir um terço da sua cópia à direita MBL.

O que acontecerá na política brasileira na era Temer? Olhe para a rua.

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