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24 de janeiro de 2018: o destino de Lula será selado pela Lava Jato

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TR-4 de Porto Alegre acelera julgamento do presidenciável petista.

24 de janeiro de 2018: o destino de Lula será selado pela Lava Jato

(Foto: Pedro Zambarda)

As eleições presidenciais do ano que vem se tornaram o principal assunto da política nacional porque orbitam em torno das principais figuras públicas acusadas na Operação Lava Jato

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) marcou o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex para o dia 24 de janeiro. A informação foi dada em primeira mão pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. A tramitação do processo foi recorde, ocorrendo em apenas 42 dias. 

O processo do tríplex do Guarujá estava previsto para chegar em segunda instância somente em agosto do ano que vem. Isso complicaria o calendário eleitoral caso Lula saísse candidato. As candidaturas serão lançadas oficialmente em abril de 2018.

A data do início do julgamento é a mesma da hospitalização de Marisa Letícia por um AVC em 2017, que a matou. Se as sessões do TRF-4 se estenderem até fevereiro, Lula pode ser condenado no mesmo dia da morte de sua mulher.

Requintes de crueldade

A direita acusa Lula de ter usado a própria mulher para se safar da condenação em primeira e segunda instância. De fato, ele falou diante do juiz Sérgio Moro que Marisa Letícia cuidou da documentação do tríplex e que seria a interessada pelo imóvel, mas existe uma distorção na opinião dos opositores do petista ao atribuírem esse tipo de atitude ao acusado.

A celeridade do processo de Luiz Inácio Lula da Silva transcende o ambiente familiar e exibe as entranhas da política brasileira, tipicamente desigual. Enquanto o processo envolvendo um tríplex em Guarujá se desenvolve em pouco mais de um mês na segunda instância, Aécio Neves não perdeu mandato no Senado ao ser gravado pedindo R$ 2 milhões de propina a Joesley Batista e nem Michel Temer perdeu a Presidência da República por negociar meio milhão de reais com o executivo da JBS.

A Lava Jato, que prometia "punir todos os corruptos", se contenta em condenar um ex-presidente de centro-esquerda que não tem foro privilegiado, integrante de um partido que já teve seus principais quadros cassados pelo Mensalão e pelo Petrolão. No panorama político geral, é fácil enxergar tratamento desigual.

O futuro de Lula

TRF-4 dá todos os indícios de que condenará o petista. O relator do processo, João Pedro Gebran Neto, demorou 36 dias úteis para finalizar seu voto e foi o trâmite mais rápido entre todas as apelações da Operação Lava Jato com origem em Curitiba. 

Com isso, o desembargador e revisor Leandro Paulsen, que integra o tribunal, pediu à secretaria da 8ª Turma que marcasse a data para o julgamento. Com a mudança nos processo em segunda instância decretada pelo STF visando a facilitar prisões preventivas, Lula caiu nas denúncias que o afetaram em 2016 envolvendo tanto o triplex quanto o sítio em Atibaia, palestras do seu instituto em um total de seis acusações. 

Condenado, Lula tem dois destinos prováveis: ou ele terá sua prisão preventiva declarada e será impedido de concorrer, ou ele será impedido de ser candidato por ser político ficha suja. 

O futuro da esquerda e da centro-esquerda

Petistas falam de "risco de uma guerra civil". O fato é que, se Lula for preso como ocorreu na condução coercitiva em março de 2016, seus apoiadores vão reagir. O PT é, ainda hoje, o maior partido de esquerda na América Latina e os processos envolvendo seu mais longevo ex-presidente são notícias internacionais.

Parte da esquerda já rejeita Lula e arrisca novos nomes: Ciro Gomes (PDT), Manuela D'Ávila (PCdoB) ou mesmo o voto nulo. Interlocutores de Ciro afirmam que ele já tinha fechado uma aliança com Lula em segundo turno. Dentro do PT, Fernando Haddad e Jacques Wagner já eram cogitados como possíveis plano B.

O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou no entanto que Haddad prefere ter um posto na coordenação de campanha de Lula. E se o ex-presidente for preso, só o tempo dirá se o ex-prefeito topa ocupar seu espaço.

Ciro Gomes está no páreo e estaria disposto a conduzir um projeto de país parecido com o de Luiz Inácio Lula da Silva caso vire presidente. Na verdade, de acordo com sondagens nos bastidores, é Ciro e Marina Silva que herdam os votos de Lula se os petistas não tiverem um plano B. A informação foi dada em uma reportagem de Ricardo Galhardo e Vera Rosa no jornal O Estado de S. Paulo.

Seja como for, o destino de Lula está atrelado ao da Lava Jato. A crueldade da operação se revela na parcialidade das autoridades e na pouca eficiência com opositores ao PT.

A condenação do ex-presidente oficializa o circo armado por autoridades comprometidas com a elite econômica e política do Brasil. É difícil pensar neste processo e no impeachment de Dilma Rousseff como procedimentos regulares. Soa como golpe.