POLÍTICA

A Lista de Fachin acabou com a "inocência" do PSDB

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Sobre a lista explosiva divulgada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, os nomes delatados, o PT e o falso moralismo do PSDB. Como um partido tão delatado permaneceu sem consequências por tanto tempo? E a mídia?

A Lista de Fachin acabou com a "inocência" do PSDB

Antes da Páscoa, o ministro Edson Fachin abriu uma das principais caixas-pretas da Operação Lava Jato, mantida em segredo desde a morte de Teori Zavascki em Paraty. A coluna do jornalista Fausto Macedo, do Estado de S.Paulo, divulgou a Lista de Fachin às 16hrs do dia 11 de abril de 2017. 

Pelo menos 13 políticos da investigação do STF foram às ruas "contra a corrupção" e pediram o impeachment de Dilma Rousseff. São, ao todo 108 nomes de todas as colorações ideológicas que você possa imaginar. 

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, PT tem 25 pessoas ligadas ao partido, PMDB 21, PSDB 16, PP nove, DEM oito, PSD cinco, PSB quatro, PCdoB quatro, PR três, PRB três, PTB duas e PPS duas. PSOL tem um integrante na lista de Fachin: No inquérito que investiga o pagamento de propina de R$ 16 milhões a Eduardo Paes por obras das Olimpíadas, Fachin afirma que há menções a pagamentos também a Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, e a Leonel Brizola Neto, neto de Brizola. Leonel Brizola Neto foi do PDT, mas atualmente está no PSOL. É vereador na Câmara do Rio.

Ou seja, 100 políticos de 500 congressistas, além dos ex-presidentes da República.

Lula enfrenta graves acusações. Ele teria solicitado R$ 40 milhões para apoio político, as reformas do sítio em Atibaia, time de futebol americano do filho Lulinha, ajudas da Brasken a Antonio Palocci, mesada para o irmão conhecido como "Tio Chico", irregularidades em negócios em Angola, na África, além da construção de uma suposta nova sede do Instituto Lula. São pelo menos seis inquéritos. Eles foram direcionados a Curitiba.

Dilma teria consciência dos negócios espúrios da Petrobras com o PMDB, passando pela ciência da ex-presidente da petroleira, Graça Foster. Os dois ex-presidentes petistas tem acusações que envolvem seus ex-ministros da Fazenda: Guido Mantega e Antonio Palocci.

Mas a grande surpresa da lista toda é a enorme quantidade de tucanos envolvidos nas acusações de corrupção. Justo os políticos que recebem apoio político dos grupos Globo, Folha, Abril e Estado.

Os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e Romero Jucá (RR), presidente do PMDB, são os políticos com o maior número de inquéritos a serem abertos: Cinco, cada. Na lista, consta que o cunhado do governador Geraldo Alckmin recebia propina da Odebrecht no Incor, de acordo com apuração do DCM. Adhemar César Ribeiro, irmão de Lu Alckmin, recebeu R$ 2 milhões “a pretexto de contribuição eleitoral” na eleição de 2010. Já em 2014, quando Alckmin disputou a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, o governador levou outros 8,3 milhões de reais da empreiteira.

O ex-governador José Serra recebeu, através do lobista conhecido como "Paulo Preto, R$ 2,2 milhões em favor da offshore Circle Technical Company Inc, que pertenceria a Amaro Ramos, conhecido operador do PSDB. No mesmo esquema, o atual senador Aloysio Nunes, então chefe da Casa Civil do Governo de São Paulo, teria recebido R$ 500 mil de maneira indevida para beneficiar a Odebrecht em relação à Dersa. Tal valor teria ajudado Nunes na campanha ao Senado.

Não bastasse tanta gente, além dos depoimentos de Marcelo Odebrecht, o patriarca e atual presidente da empresa, Emílio, relatou pagamentos de caixa dois às campanhas do grão-tucano Fernando Henrique Cardoso em 1993 e 1997. E emendou: "Se todo mundo sabia de tudo, por que só agora as coisas apareceram?". 

É uma boa pergunta. As figuras do PSDB precisam ser investigadas. Mas, aparentemente, os escândalos do Mensalão e do Petrolão deram uma bela blindagem de imprensa aos tucanos.

Na Lista de Fachin, sobra pouco da política brasileira. Mas os tucanos tem peso dois.