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Aécio Neves candidato em 2018: o plano é retomar Minas Gerais

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Acusado de corrupção na Operação Lava Jato, o futuro do tucano é incerto. Mas ele parece estar inclinado a se refazer politicamente.

Aécio Neves candidato em 2018: o plano é retomar Minas Gerais

(Foto: Marcus Desimoni/Nitro/Fotos Públicas)

A Lava Jato ameaça implodir o PSDB. Contra isso, suas figuras centrais acusadas impõem controle político da situação para se manter fortalecidas em ano eleitoral. Um ex-presidenciável tomou medidas para se manter relevante no cenário político.

O senador Aécio Neves concedeu uma entrevista ao "Tempo" publicada no dia 13 de novembro afirmando que será candidato em 2018. Mas podem ficar tranquilos que, aparentemente, ele não tentará a presidência de novo. O discurso de Aécio, depois de denunciado por Joesley Batista e a JBS, é outro.

"Eu tenho um orgulho enorme do legado que construímos em Minas Gerais, que não é só do Aécio, é de um conjunto de forças políticas que durante 12 anos fez com que Minas Gerais tivesse os melhores e mais importantes projetos de infraestrutura, como por exemplo, a ligação de todas as cidades que não tinham ligação asfáltica. Fez com que Minas Gerais tivesse a melhor educação fundamental do país durante todo esse período, a melhor saúde da região Sudeste, honrando, por exemplo, o salário dos servidores de forma religiosa. Isso tudo evaporou-se. O meu papel agora é ajudar a reorganizar as nossas forças políticas, não apenas do PSDB, mas um conjunto de forças que nos ajudou no nosso projeto de governo para resgatarmos um projeto estruturante para Minas Gerais a partir da vitória para o governo do estado", diz o pré-candidato. 

O tucano complementa que a decisão de sair candidato só será formulada pelo partido em março de 2018. A afirmação é justamente para que ele não seja acusado de fazer "propaganda antecipada". No entanto, Aécio já dá todos os sinais que pretende se recuperar do dano que lhe foi causado na Lava Jato.

Nada de anti-Lula

Diferente de João Doria Jr., que se apressou em entrevistas a se designar como o "anti-Lula", especialmente para a "IstoÉ", Aécio parece ter aprendido uma lição com o impeachment de Dilma Rousseff. No entanto, dentro do PSDB ele demonstrou ter mão de ferro ao tirar Tasso Jereissati da presidência interina, indicando Alberto Goldman.

Apontado como o arquiteto do impedimento da ex-presidente e aliado forte de Michel Temer, Aécio Neves parece estar fazendo um recuo estratégico em sua carreira. Acusado de pedir R$ 2 milhões de propina na Lava Jato, de organizar propinas em Furnas e de ter um aliado com um helicóptero que carregou meia tonelada de pasta base de cocaína - o senador Zezé Perrella (PMDB) -, Aécio parece ter entendido que precisa voltar a ser governador de Minas Gerais para reconquistar o eleitorado. Ele já esteve na gestão do estado entre 2003 e 2010, época em que foi favorecido pelos dois governos Lula.

Portanto, o discurso do grão-tucano é nada de anti-Lula. "Política é arte de administrar o tempo. Meu velho avô Tancredo dizia que os problemas que parecem mais insolúveis, intransponíveis, o tempo ajuda a resolvê-los. Aqui o tempo ajudou a um grande entendimento. Então, vim aqui, principalmente, para saudar a unidade do partido. É da nossa unidade que tiraremos força para recuperar a liderança que sempre tivemos no estado", complementa na entrevista.