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Alckmin assume o PSDB: um líder sobre os destroços de um partido

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No xadrez das eleições de 2018, o governador de São Paulo venceu uma disputa forte entre os caciques. Mas o que ele vai liderar? Destroços de um partido?

Alckmin assume o PSDB: um líder sobre os destroços de um partido

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Fotos Públicas)

A vida do maior partido de oposição ao PT e hoje aliado do governo Michel Temer não tem sido fácil. Os caciques estão batendo cabeça e a delação da JBS colocou a credibilidade do PSDB em xeque. O tucanato deu um jeito de defenestrar Aécio Neves da liderança da legenda, que passou pelas mãos de Tasso Jereissati e Alberto Goldman recentemente. Além das brigas internas, que nem FHC consegue acalmar, o ex-ministro Antonio Imbassahy entregou na última sexta-feira sua carta de demissão ao presidente Temer num encontro em São Paulo.

Geraldo Alckmin assumiu a liderança do partido no último sábado, dia 9 de dezembro. O clima deveria ser de animação, mas o que existe é puro desânimo.

Um dos motivos é justamente a base de apoio do governo Michel Temer. DEM e o próprio PMDB dão sinais que não querem apoiar Alckmin como candidato presidencial contra Lula em 2018. Não enxergam nele, também, uma alternativa viável em comparação com a pré-candidatura de Jair Bolsonaro.

Para conseguir cargos e permanecerem fieis ao governo, cobrando propinas, os peemedebistas colocaram os tucanos no sacrifício. Do outro lado, o DEM de Rodrigo Maia sabota continuamente o presidente nas votações das reformas econômicas, mas não se aproxima também do PSDB. Nos bastidores, o que se comenta é que as duas legendas já cogitaram João Doria Jr., o pupilo de Geraldo Alckmin, e Paulo Skaf como presidenciáveis. Eles também se encantaram com Luciano Huck, mas não emplacaram o nome do global.

Alckmin parece um líder sobre os destroços de um partido. José Serra tentou duas vezes contra o PT e perdeu, primeiro para Lula e depois para Dilma, para no fim sair do Ministério de Relações Exteriores com problemas de saúde. Aécio Neves tentou as eleições presidenciais  somente em 2014 e perdeu por uma margem pequena para Dilma Rousseff. Agora o senador mineiro é gravado pedindo R$ 2 milhões em propina para Joesley Batista da JBS.

Como o partido do governador recente mais longevo de São Paulo sairá dessa?

Assumindo novamente o antipetismo

Segundo reportagem de Igor Gielow na Folha de S.Paulo, Alckmin deverá culpar Dilma e Lula pela crise econômica, incorporando elementos de antipetismo que ele deixou de lado enquanto esteve no governo do estado. Na sua primeira aparição pública como líder do PSDB, deverá pregar também a união partidária.

O alvo do discurso não é exatamente Lula, mas sim Bolsonaro. O possível eleitorado do ex-capitão possui críticas mais contundentes ao PT.

No entanto, segundo outras fontes nos bastidores, o PSDB também queria vender Geraldo Alckmin nas eleições de 2018 como se ele fosse o presidente da França, Emmanuel Macron. Liberal nas suas convicções políticas, o governante francês consegue ser visto por parte da esquerda e da social-democracia como um "homem de centro".

Sem saber situar Alckmin em algum campo político claro, o PSDB por enquanto só conseguiu elevar seu nome como o "rei dos destroços" que um dia foi um partido.

Uma legenda política que deixou o antipetismo parir Jair Bolsonaro. É uma triste sina.