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Alckmin e o impasse de 2018: como a candidatura dele pode naufragar pelo PSDB

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Entrevista de Fernando Henrique Cardoso, inimigos por todos os lados e mau desempenho nas pesquisas. O que o governador fará neste ano?

Alckmin e o impasse de 2018: como a candidatura dele pode naufragar pelo PSDB

(Foto: Mastrangelo Reino/A2img/Fotos Públicas)

O governador tornou-se presidente do PSDB em 2017 e o provável candidato presidencial da legenda. A disputa será feia em 2018 e os aliados já estão corroendo a credibilidade do tucano.

Geraldo Alckmin tornou-se centro das manchetes do noticiário político neste começo de ano. E o homem do PSDB está num verdadeiro impasse diante dos próprios companheiros de legenda.

No dia 1º de janeiro, dia de ano novo, uma nota do jornalista Mauricio Lima na coluna Radar da revista Veja já mostrou que essa eleição será movimentada para Alckmin. Segundo fontes do repórter, o PP e o DEM teriam dado um recado para o PSDB que o governador precisaria subir nas pesquisas se quiser contar com seus apoios.

Datafolha indicou em outubro de 2017 que Geraldo Alckmin estava com apenas 8% das intenções de voto, muito atrás de Lula (35%), Jair Bolsonaro (17%) e Marina Silva (13%). O golpe maior em Alckmin não chegaria nem nas pesquisas e nem nas legendas aliadas, mas de outra figura do próprio PSDB.

O jornal O Estado de S.Paulo publicou entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 2 de janeiro de 2018. A conversa com FHC foi parar na capa da publicação e expôs que ele não está tão seguro com a candidatura Alckmin e que relaciona o bom desempenho de Lula nas pesquisas com a educação precária do brasileiro. Diz que os países latino-americanos concederam indulto ao ex-presidente peruano Alberto Fujimori, preso por corrupção, por razões semelhantes. Fernando Henrique só esqueceu que o ex-líder do Peru fez políticas neoliberais, diferente da social-democracia de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Tem que ter um [candidato de centro]. Espero que esse tenha capacidade de aglutinar. Se houver outro que aglutine, vai fazer o quê?", disse FHC sobre Alckmin sem citar seu nome. Fernando Henrique Cardoso insistiu ao Estadão que o PSDB precisa lançar um candidato de centro, nem de direita ou de esquerda - que ele acredita que estão bem ocupados com Bolsonaro e Lula. Deu Emmanuel Macron da França e Donald Trump dos Estados Unidos como candidatos que unificaram o eleitorado.

O perigoso da entrevista de Fernando Henrique é que ele abriu a possibilidade de que outro candidato ocupe o espaço de Alckmin, caso ele não deslanche nas pesquisas. Soou como fogo amigo.

A coluna Radar da Veja voltou ao assunto da candidatura de Geraldo Alckmin no dia 3 de janeiro. A matéria frisou que uma ala do PSDB acredita que FHC só vai ajudar o governador por "falta de opção". No mesmo dia, a Coluna do Estadão apontou que os aliados do prefeito João Doria Jr. se animaram com a entrevista do ex-presidente. Pode ser um sinal que o "gestor" ainda pode ser candidato pelo PSDB aos olhos dos grãos-tucanos.

Doria passou 2017 tentando ocupar o espaço de Geraldo Alckmin como pré-candidato tucano.

O site Poder360 fez a terceira reportagem seguida no mesmo dia informando que os aliados de Alckmin perderam a confiança em Fernando Henrique por diferentes fatores. "Ele incentivou o lançamento da candidatura alternativa ao Planalto, pelo PSDB, do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. No programa Manhattan Connection neste final de semana, o decano do PSDB concordou que, com Alckmin, os tucanos partem para as eleições com 'um par de oito', em alusão a cartas fracas do jogo de pôquer. Em entrevista publicada nesta terça-feira, FHC disse que o pré-candidato ainda tem que mostrar capacidade de 'unir o centro'", afirmou a página no texto, listando as ações do ex-presidente. 

Há ainda brigas sobre a sucessão de Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes: existe um grupo que quer Doria no lugar e o vereador Mario Covas Neto quer que Márcio França do PSB dispute no lugar. A informação é da coluna da Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

Futuro incerto

Alckmin está com 8% de intenções de voto. Seu eleitor provavelmente migrou para Jair Bolsonaro. Nacionalmente, o PSDB possui uma máquina de campanha que garante tempo de propaganda de televisão. Bolsonaro cogita os partidos Patriota, PSL e PR para tentar chegar ao Palácio do Planalto. Nenhum deles tem estrutura para disputar uma eleição deste nível.

O futuro do Brasil é incerto em 2018, porque nem falamos de Lula. Mas o PSDB está enrascado se tiver tucanos se bicando o tempo todo.

Geraldo Alckmin pode naufragar nessa.