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Aliança inaudita Lula-Temer: será este o maior erro do PT?

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Breves considerações sobre o bastidor que pode bater forte no PT durante as eleições de 2018. Será que o partido optou por deixar Michel Temer sangrar até o ano que vem? O que dizem os que defendem isso e o que isso implica. O Fora Temer vale?

Aliança inaudita Lula-Temer: será este o maior erro do PT?

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas)

Em janeiro de 2017, a ex-primeira-dama Marisa Letícia morreu no hospital Sírio-Libanês de um derrame cerebral. Fernando Henrique Cardoso deixou as diferenças de lado e foi abraçar o seu rival político. Logo depois, o presidente da República e seu ministro, Moreira Franco, foram prestar solidariedade.

Lula e Michel Temer deram um forte aperto de mão e um abraço. Meses antes, o presidente mandou uma carta na imprensa atacando sua antecessora Dilma Rousseff e afirmando que ele era um "vice decorativo". Colocado no poder por indicação de Luiz Inácio Lula da Silva para solidificar a aliança com o PMDB, Temer deu explicitamente uma rasteira em sua aliança com Eduardo Cunha, seu articulador no Congresso.

O impeachment na verdade foi um golpe parlamentar, prontamente acusado pelo PT e sobretudo pelos políticos mais à esquerda do partido. Mas mesmo com acusações pesadas trocadas pelos dois lados, Temer e Lula parecem ter uma relação amistosa.

Ela é assim sobretudo nos bastidores.

A jornalista próxima do poder

Helena Chagas foi ministra-chefe da Secretaria de Comunicação do governo Dilma, entre 2011 e 2014. Atualmente ela é editora do site Divergentes. No texto "A impronunciável aliança Lula-Temer pela sobrevivência", ela fala explicitamente sobre a aliança de bastidores. E o exemplo de Helena é a própria votação que abafou as investigações de Michel Temer no começo de agosto.

"O argumento de que, para a candidatura Lula ou de outro petista em 2018, é bom manter o desgastado e impopular Temer no ar faz algum sentido. Mas não explica tudo. Afinal, derrubar Temer, que derrubou Dilma e é apontado como golpista pelo PT, seria também um jeito de dar a volta por cima. O que se comenta nos bastidores, hoje, é que a explicação de tudo estaria numa subterrânea e impronunciável aliança entre Lula e Temer. Não em torno de reformas nem de eleições, mas da sobrevivência. Como? Em torno da aprovação de projetos para atenuar os efeitos da Lava Jato sobre seus acusados. No caso dos dois, por exemplo, aprovando um dispositivo estendendo o foro privilegiado do STF aos ex-presidentes", diz a jornalista.

A Lava Jato de fato surge como um elemento indefinido no cenário. Indefinido o suficiente para unir a classe política nos bastidores. Em outras reuniões, Temer tenta fazer mudanças na Procuradoria-Geral da República com Raquel Dodge e com a Polícia Federal para atenuar os efeitos da delação premiada de Joesley Batista.

Lula, por outro lado, quer adiar o máximo a sentença do TR4 de Porto Alegre, que pode condená-lo em segunda instância e inviabilizá-lo como candidato em 2018. O presidente estadual de São Paulo do PT, Luiz Marinho, alega que a legenda não tem um plano B caso o ex-presidente seja barrado pela Justiça.

O medo da cadeia, portanto, norteia alianças políticas neste momento segundo uma jornalista que foi próxima de Dilma Rousseff e viu a operação de Temer para chegar ao poder.

E o que reforça isso? A votação que abafou o processo de  Michel Temer dentro da Lava Jato mostrou que o presidente não tem 300 deputados do "Centrão" do Congresso, exibindo um governo federal ainda mais frágil do que aparenta. A oposição, por outro lado, não tinha os 342 para investigar o presidente. O prudente seria o PT esvaziar a votação e botar a CUT para protestar na rua, se são favoráveis ao Fora Temer. Mas nada disso aconteceu.

O ponto fora desta lógica

A aliança Lula-Temer não faz sentido, por outro lado, na medida em que o presidente se aproxima de João Doria Jr. e tem como base do seu governo uma legenda como o PSDB. Para os tucanos, a última coisa que lhes é útil é que Luiz Inácio Lula da Silva tenha alguma sobrevivência política. Isso significaria a derrota do antipetismo e a humilhação final da direita que eles representam, que performa cerca de 10% tanto com Geraldo Alckmin quanto com João Doria.

Neste ponto fora do nó, a salvação política do PT seria mesmo atirar o PMDB e Temer aos tubarões da Justiça. E para setores da esquerda mais purista, pouco afeita a governos de coalizão, vale muito mais a pena sacrificar o presidente com o próprio Lula.

Para estes, o Partido dos Trabalhadores pode se reformar depois.

Vendo do longe, no entanto, abraçar Temer com menos de 5% de popularidade é a definição mais literal de "abraço dos afogados".

Michel Temer, depois de derrubar Dilma, pode atirar PT e Lula no penhasco.