ELEIÇÕES 2018

Bolsonaro vai pra Ásia em 2018; quem vai pagar a conta?

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Depois de Doria, é a vez do político de extrema-direita viajar pelo mundo. Ele quer provar que entende de coisas que nunca deu importância para disputar a presidência.

Bolsonaro vai pra Ásia em 2018; quem vai pagar a conta?

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas) 

Viagens internacionais, pelo visto, serão a tônica de alguns candidatos para as eleições presidenciais do ano que vem. No entanto, a maioria deles se enrola para explicar como e quanto vão gastar nessas empreitadas.

A colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo, divulgou em 21 de novembro que o pré-candidato Jair Messias Bolsonaro terá uma tour internacional em 2018. O presidenciável de extrema-direita vai visitar Hong Kong, Japão e Coreia do Sul.

O objetivo? Trazer bons exemplos para o Brasil, fazer lobby com políticos e empresários. Aparentemente Bolsonaro acredita que a viagem vai fazer bem para sua imagem pública.

Jair Bolsonaro também promete revelar o nome de um economista para apoiar sua futura campanha, ao mesmo tempo que tem aulas para entender o básico da matéria.

Em outubro, o pré-candidato extremista tentou fazer algo semelhante no quesito de aventuras. Viajou aos Estados Unidos e afirmou em solo americano que Donald Trump era um "exemplo" pra ele. Segundo o site internacional Intercept, o real objetivo de Jair Bolsonaro nas suas passagens pela Flórida, Massachussetts, Nova York e Washington D.C. era angariar doadores para sua campanha. Ele foi bem recebido na Flórida, mas os noviorquinos não engoliram seu discurso de extrema-direita.

E a pergunta que fica é: quem paga essas viagens?

Cota parlamentar, o seu dinheiro público nas viagens bolsonaristas

Em abril deste ano, a Folha já denunciava que Bolsonaro utilizava sua cota de deputado federal para viajar em campanha. Precavido, o pré-candidato não se declara oficialmente para não ser acusado de fazer propaganda antecipada.

Na ocasião, o jornal informou que ele gastou R$ 22 mil em suas aventuras pelo Brasil e detalha que R$ 2,5 mil foram gastos para Bolsonaro ir ao Recife, onde deu palestra na Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados em novembro de 2016. Poucos dias depois, viajou a Boa Vista, Roraima, por R$ 4,5 mil, acompanhado de um assessor, cujas passagens, de R$ 4 mil, foram quitadas com a cota parlamentar. Deu entrevistas e uma palestra promovida pelos sindicatos dos policiais civis e o dos federais de Roraima. Ao sair, no aeroporto, falou da necessidade de controlar a entrada de venezuelanos na região.

Oficialmente, Jair Bolsonaro diz que não está em campanha e nega irregularidades no uso da cota. O fato é que eu e você vamos pagar a ida dele pra Ásia.

O anti-exemplo de Doria

Também corrida presidencial, outro pré-candidato fez a mesma coisa. O prefeito de São Paulo, João Doria Jr., fez viagens aos Emirados Árabes, França e outros países inicialmente para "vender a cidade". Na prática, estava usando parte do dinheiro da gestão e do seu grupo empresarial, o LIDE, para viabilizar as aventuras.

Numa entrevista ao programa da jornalista Mariana Godoy, Doria admitiu que "errou" ao "viajar demais", mas continua repetindo que o PT roubou o Brasil e todos os mantras que ele diz para tentar emplacar sua imagem de "anti-Lula".

Enquanto esses pré-candidatos viajam para reuniões com engravatados, Lula, com todas as críticas que se possam fazer, faz carreatas como pré-candidato no nordeste e no estado de Minas Gerais. 

Conhecer o Brasil essa gente, como Bolsonaro, parece não querer.