A briga do Catraca Livre com o MBL

Sobre o Jornalivre, sua vinculação com o Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri, uma briga de bairro e Gilberto Dimenstein.

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O jornalista Gilberto Dimenstein, dono do portal Catraca Livre, organiza uma festa de domingo chamada Armazém da Cidade. Fechando para carros a Rua Medeiros de Albuquerque, o encontro possui espetáculos de dança, artesanato, música e produção cultural entre 11hrs e 20hrs. Há venda de cerveja no local, autorizada apenas para maiores de 18 anos.

O caso virou uma briga de bairro com vizinhos que reclamam do barulho da festa. O publicitário Andre Kirkelis manifestou-se publicamente no Facebook neste começo de 2017 contra Dimenstein. A briga começou, segundo Kirkelis, quando ele tentou tirar "focos de dengue" de plantas colocadas pelo Armazém em pneus transformados em vasos de plástico.

A briga foi parar na política em fevereiro. Andre Kirkelis deu entrevista ao site de direita Antagonista, de Diogo Mainardi e Mario Sabino. Ele reclama que a rua na Vila Madalena é área residencial e que a festa deveria ser proibida.

Daquele dia em diante, Dimenstein resolveu responder aos ataques e diz que o Armazém está regular com a prefeitura..

O dono do Catraca Livre identificou, de maneira correta, que Kirkelis passou a entrar em contato com o vereador Fernando Holiday e o MBL. O braço de comunicação mais recente do Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri, após o site Folha Política e o canal de YouTube Ficha Social em 2015, é o Jornalivre.

Trata-se de um site de "notícias" sem assinatura que ataca os inimigos da direita. Chama todos que criticam seu espectro político de "extrema-esquerda", incluindo Diário do Centro do Mundo, Folha de S.Paulo e até o novo diretor de redação da revista Veja, André Petry.

Dimenstein levou alguns dias mas descobriu o nome da pessoa por trás do Jornalivre. Trata-se de Roger Roberto Dias Andre, militante do Instituto Liberal de Joinville, em Santa Catarina, e denunciado neste mês de abril.

Assinando como "Roger Scar", ele divulgou um editorial absurdo em que justifica o anonimato para se "proteger" porque o Brasil ia "virar uma Venezuela".

Além do delírio em seu texto, Scar fez mais de 20 postagens atacando diretamente a pessoa de Gilberto Dimenstein, chamando-o de ex-jornalista e louco.

O  dono do Catraca Livre também ligou para o gabinete do vereador Holiday, cobrando satisfações porque ele divulga um site de difamação sem assinatura. O político eleito pelo MBL tirou o corpo fora e não respondeu às perguntas.

Gilberto Dimenstein encaminhou uma denúncia à delegacia de crimes digitais do Deic da Polícia Civil e está denunciando outro site de direita que faz ataques, o Sul Connection. Segundo o delegado que apura o caso, José Mariano de Araújo Filho, políticos como Fernando Holiday podem ser enquadrados como co-autores se o crime for provado.

No jornalismo de política, existe um jogo justo que é assinar com seu nome suas opiniões mesmo que desagradem adversários ideológicos. Quando sites fazem isso sem assinar, frequentemente hospedando domínios fora do país para não cumprir penas no Brasil, eles prestam um desserviço ético e jurídico com sua profissão. Se são jornalistas, devem responder pelo que publicam.

Roger Scar não sairia das sombras se Dimenstein não estivesse brigando com o MBL e com os vizinhos que não gostam de sua festa. É Roger, também, que aparentemente ligou atacando e sem se identificar para a agência de publicidade VML, a mesma que fez a campanha da Amazon criticando o prefeito João Doria Jr.

Aparentemente as brigas de bairro estão mesmo saltando mesmo para a política nacional.

João Doria Jr. é o político do antipetismo

Respostas ríspidas. Jeito de "gestor". Antipolítico. Presidenciável ou não? Fazedor de marketing. "Jornalista". Protegido pela elite paulista. Adota linguagem populista mesmo que suas ações não correspondam à prática. Seria Doria um dos produtos do antipetismo?

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O PT assumiu o governo federal em 2003 e são mais de 13 anos de antipetismo na imprensa. Antes mesmo da eleição de Lula, a rejeição à esquerda já existia como produto da ditadura militar. Um ex-metalúrgico no posto de maior poder do país revoltou as elites. Enquanto o PIB crescia estava tudo bem. Quando a situação mudou, Dilma Rousseff caiu do governo e Michel Temer ascendeu para cumprir os desejos desta elite: Cortes na Bolsa Família, Previdência Social, Saúde, Educação e desonerações fiscais sem controle. Uma diminuição do Estado a todo custo e sem nenhuma inteligência.

Neste contexto, surge João Doria Jr. como candidato à prefeitura de São Paulo contra Fernando Haddad do PT. Jeito de empresário, muito marketing com empresas na órbita do PSDB, seu partido, Doria vence em primeiro turno com uma votação esmagadora de três milhões de votos.

Na campanha, Doria ressaltou em muitas falas como ele é contra ciclovias, projetos sociais e "iniciativas do PT". Na cadeira de prefeito, está executando o script de maneira organizada.

Paralisou a política de ciclovias, cortou medicamentos em postos de saúde e cobriu grafites com tinta cinza. No Carnaval, provocado por uma pessoa na rua, xingou o adversário de "seu Lula". Disse que o ex-presidente gostaria de visitar os "amigos em Curitiba". E manda quem apoiar o PT ir pra cadeia em bate-boca.

Vestiu-se de gari, de pedreiro, de cadeirante e de jardineiro para simular uma aproximação com a população. Sua gestão, no entanto, não responde às reclamações.

O PSDB o vê como esperança de presidenciável em 2018 contra Lula, a despeito da pré-campanha de Geraldo Alckmin. Doria nega as intenções, mas todo mundo duvida.

João Doria Jr. não sai das notícias. Doria é midiático e publicável porque é o produto legítimo do antipetismo. Não está envolvido em falcatruas da Odebrecht, mas negocia parcerias privadas com Ultrafarma, Microsoft, Multilaser e outras empresas "sem contrapartidas". Uma investigação de corrupção nesta falta de transparência pode estar aí.

Quando uma companhia gigante como a Amazon provoca o prefeito numa propaganda e ele a chama de "oportunista", ele comprova que não tem equilíbrio para lidar com a publicidade do próprio cargo.

A mesma demonstração segue para o artigo do colunista da Folha de S.Paulo, André Singer, que recebeu outra resposta malcriada do prefeito. O vereador do PT, Antonio Donato, levantou documentos que apontavam uma dívida de R$ 90 mil de IPTU do prefeito, que se arrastou desde 2002. João Doria Jr. demorou mais de 10 anos para quitar a dívida, embora seus fãs achem isso comum. 

Doria está com a bola toda porque ele é o produto do antipetismo. 

É o coxinha do momento.