Como Albert Camus me ensinou o que é esquerda e imprensa engajada

Como Albert Camus me ensinou o que é esquerda e imprensa engajada

Uma pesquisa realizada em 2008 sobre imprensa clandestina francesa na Segunda Guerra Mundial mudou minha percepção sobre política. Por este motivo, você também deveria conhecer o escritor franco-argelino Albert Camus.

Viveu entre 1913 e 1960. Franco-argelino, era considerado pied-noir (pé preto, do francês), uma designação para colonizados que viviam no país europeu. Estudou filosofia e começou no jornalismo como crítico de música. Sua especialidade na academia? História grega. Comecei a estudar Albert Camus51O Estrangeiro52

De um livro para outro, consumi a maioria das obras traduzidas para o português. E descobri sua obra jornalística, um assunto pouco abordado sobre sua vida e carreira.

66Estrangeiro67

Fiz minha iniciação científica na Cásper Líbero em cima das contribuições de Albert Camus na imprensa até 2009. Além do Alger Républicain e o Le Express, eu me foquei num jornal clandestino ligado ao Partido Comunista Francês chamado Combat. Nele, Camus fez editoriais e reportagens sobre o campo de batalha francês, que combateu a Alemanha nazista e a República de Vichy, constituída de franceses traidores após a invasão de Paris.

Nos textos, Camus discorria sobre política, guerra e, claro, jornalismo.

104Jornalismo clandestino é honrável porque é uma prova de independência

(CAMUS ALBERT In: LEVI-VALENSI, Jacqueline. Camus at Combat: Writing 1944-1947. 2006. p. 9) 

119rabo preso120

E ele fala sobre filosofia:

137Camus definiu sua maneira de encaixar sua arte

(TODD, Olivier. Albert Camus: Uma vida. 1998. p. 779)

Frasista incorrigível, é de sua autoria dois aforismos que levo para a vida.

173Não há amor de viver sem desespero de viver174178O Avesso e o Direito179

“No meio do inverno, aprendia afinal que havia em mim um verão invencível”196Núpcias

Tornou-se filósofo conhecido globalmente, pensador pacifista na Guerra de Argel e terminou brigado com Sartre em cartas públicas na imprensa. Jean-Paul Sartre seguiu para a esquerda armada e engajada, simpatizando-se com a União Soviética, a China e Fidel Castro. As rusgas e as discordâncias intelectuais manteriam Camus e Sartre separados pelo resto da vida.

Fiz um extenso artigo sobre a carreira jornalística de Albert Camus para a revista Anagrama da USP. Se tiver paciência, leia neste link: http://www.albertcamus.com.br/2010/11/jornalismo-frances-e-albert-camus.html

Albert Camus tornou-se minha leitura de cabeceira e uma espécie de guia intelectual do que eu acredito que seja a esquerda crítica correta e a imprensa que todos desejamos.

Termino este artigo com mais duas considerações dele sobre jornalismo, ambas publicadas no jornal Combat entre 1944 e 47, no caos da Segunda Guerra Mundial.

239O que nós queremos? Uma imprensa que seja clara e viril e escreva em um estilo decente. Quando nós sabemos

(CAMUS, Albert. In: LEVI-VALENSI, Jacqueline. Camus at Combat: Writing 1944-1947. 2006. p. 22)

257Jornalismo não é reconhecido como escola de perfeição. Pode ser necessária uma centena de matérias de jornal para fundamentar uma única ideia claramente. Mas essa ideia pode esclarecer outras

(CAMUS, Albert. In: LEVI-VALENSI, Jacqueline. Camus at Combat: Writing 1944-1947. 2006. p. 64)

275Nós também devemos considerar o jornalismo das idéias. Previamente

(CAMUS, Albert. In: LEVI-VALENSI, Jacqueline. Camus at Combat: Writing 1944-1947. 2006. p. 32)

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