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Como Alckmin defende "limites no liberalismo" e se consolida na centro-direita

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Tucano parece ter demolido as aspirações presidenciais do discípulo João Doria Jr. e agora parece querer uma autocrítica na direita.

Como Alckmin defende "limites no liberalismo" e se consolida na centro-direita

(Foto: Divulgação/Fanpage do Facebook)

Com a campanha nas redes sociais #preparadoparaobrasil, o governador de São Paulo defende prévias dentro do PSDB e se consolida como o principal nome da legenda para a disputa presidencial de 2018. Mas sua cartada não é apenas impor sua autoridade frente às tentativas do discípulo João Doria Jr. de ocupar seu espaço no meio político durante o ano que vem. Ele vem também com um discurso diferente dentro da direita que conhecemos no Brasil.

Geraldo Alckmin participou no último dia 20 do evento "Esquerda Pra Valer", uma corrente progressista dentro do PSDB - acredite, nem todos eles rejeitam toda a ideologia que também existe no PT, PSOL ou PCdoB. Na ocasião, o governador afirmou que o liberalismo econômico precisa de limites e foi aplaudido por isso.

"O laissez-faire, esse liberalismo completo, é a incivilização, porque é o grande comer o pequeno, o forte massacrar o fraco. O problema é que não tem economia moderna, que tenha consumo, sem salário ou renda. Não existe isso. Nós temos que ter um foco na inovação e outro na questão social. E aí vem a social-democracia", afirmou Alckmin. Quando Doria anunciou seu programa Alimentação para Todos, defendendo o uso da farinata como método de combate à fome, o governador aproveitou para divulgar seu antigo programa Bom Prato que mantém um prato de comida convencional pro R$ 1. Dessa forma, Geraldo Alckmin se colocou contra os parceiros liberais e com interesses comerciais que rondam o prefeito.

A crítica do governador é contra uma expressão francesa que significa "deixar fazer", ou seja, apontar o mercado livre e desregulado como única via de solução dos problemas que afetam os brasileiros. Ao criticar Doria e os liberais mais radicais, Alckmin não se distancia apenas do discurso mais extremista, mas se posiciona mais ao centro da discussão política.

Ele recupera o discurso de "social-democracia" enterrado há anos no PSDB, que era uma herança de seu fundador, Franco Montoro.

A direita de centro

Existem atores políticos, de jornalistas até figuras públicas, preocupados com o avanço de Jair Bolsonaro e do seu extremismo militarista entre os grupos de direita. Nomes como Joel Pinheiro da Fonseca e o Partido NOVO temem a política autoritarista dos bolsonaristas, mas estavam relutantes em propor um nome no lugar.

O oportunismo de João Doria nas suas ações de Facebook e suas viagens nacionais e internacionais sem transparência estão fazendo ele perder pontos tanto entre a direita liberal quanto com a centro-direita e a extrema-direita. Ele se enfraqueceu graças a suas próprias ações.

É neste cenário que Alckmin, com apoio do ex-governador Alberto Goldman e de outras figuras do PSDB, acaba se posicionando na centro-direita. Com um discurso que nem ameaça os avanços sociais dos últimos anos, ele se torna inclusive viável se a esquerda estiver sem candidato no segundo turno.

Os militantes de esquerda e os críticos do PSDB não vão esquecer a repressão da Polícia Militar de Geraldo Alckmin contra estudantes da USP e contra os protestos de 2013. No entanto, com Bolsonaro no páreo, ele parece mais sério do que a média.

Possibilidade de um novo pacto com o PT

A coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo afirma que Alckmin está sendo orientado a "reconhecer os avanços do governo Lula". A linha do discurso, segundo os conselheiros que foram fontes da jornalista Juliana Braga na coluna, é se distanciar do "anti-Lula" que se tornou João Doria Jr.

Nesse sentido, a centro-direita de Geraldo Alckmin pode sim se aproximar da centro-esquerda do PT nas eleições de 2018 e pulverizar discursos extremistas. É uma boa notícia.