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Como este game feminista foi profundamente injustiçado neste ano

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Pouco premiado em comparação com outros gigantes, game traz um enredo futurista com viés feminista que poderia ter sido melhor reconhecido em 2017.

Como este game feminista foi profundamente injustiçado neste ano

(Fotos: Divulgação)

2017 foi um ano tão recheado de videogames que muitos títulos foram injustiçados pela onda de lançamentos. Um grande título da Guerrilla Games com a Sony conquistou muitos jogadores embora não tenha sido tão reconhecido quanto The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey.

Como este game feminista foi profundamente injustiçado neste ano

Horizon Zero Dawn foi lançado no dia 28 de fevereiro de 2017 abordando um futuro distópico com robôs gigantes similares a dinossauros. A heroína é Aloy, uma jovem outsider que foi expulsa de uma sociedade matriarcal que louva a "Deusa".

Como este game feminista foi profundamente injustiçado neste ano

Pelo que você já conseguiu notar, a história é claramente feminista. Aloy descobre, aos poucos e com diferentes referências, que o mundo dela é na verdade o nosso mundo. O game mostra claramente como o uso ruim das tecnologias podem levar a humanidade para sua ruína e o retorno às sociedades tribais religiosas.

Você vai usar arco e flecha, explosivos e recursos para encarar dinossauros dezenas de vezes maiores do que a sua personagem.

Ecologia em pauta

Como este game feminista foi profundamente injustiçado neste ano

Num mundo aberto, Horizon Zero Dawn ensina, de maneiras sutis e claras, que a humanidade precisa ter um relacionamento harmônico com a natureza para sobreviver. Sem dar spoilers, a heroína descobre que os homens fizeram mal ao planeta Terra e que uma determinada feminilidade tentou deter essa ambição autodestrutiva.

A ecologia, portanto, é um assunto claramente abordado. O mundo do jogo é aberto mas, ao contrário de Zelda, não há tantos espaços vazios e tanta liberdade. As jornadas secundárias servem mais para desenvolver Aloy como uma guerreira.

Participação brasileira

O estúdio brasileiro Kokku, de Recife, fez as artes dos robôs de Horizon Zero Dawn. Foi o maior projeto da companhia em 2017.

A empresa é liderada por Thiago di Freitas, que passou por estúdios que fecharam e fizeram trabalhos para a Editora Abril, e possui uma divisão chamada Diorama, que faz serviços terceirizados em 3D para games "triple A". São os jogos de alto nível.

Expansão recente

Uma DLC chamada The Frozen Wilds chegou no dia 7 de novembro de 2017. A expansão foi vendida por R$ 61,50 abertamente e por R$ 46,12 para assinantes da loja online PS Plus.

A continuação adiciona uma área comandada pela tribo Banuk, ao norte no mapa com gelo, mais história, novos mistérios e inimigos para Aloy.

O DLC evidencia o mundo vivo de Horizon. Há neve, chuva, luz e escuridão. Mergulhar nesse futuro reflexivo é uma experiência muito interessante.

Pouco reconhecimento

No The Game Awards (TGA), Horizon foi indicado para os prêmios de Jogo do Ano, Melhor Direção de Jogo, Melhor Narrativa, Melhor Direção de Arte, Melhor Atuação, além de Melhor Game de Ação e Aventura. Não ganhou nenhuma das seis indicações, embora seja reconhecido como o melhor exclusivo para PlayStation 4 de 2017. E é curioso observar que os vencedores foram games estrelados por homens e personagens predominantemente masculinos.

Uma das exceções no TGA foi Hellblade: Senua's Sacrifice, um jogo indie que ganhou com a melhor interpretação de personagem e pelo áudio. É um game que, além de trabalhar com protagonismo feminino, lida com o problema da depressão. O título da Guerrilla Games não teve o mesmo reconhecimento na maior premiação do setor.

Horizon traz um enredo com foco feminino de qualidade. É uma pena que ainda a indústria de jogos não reconheça da forma apropriada.