MICHEL TEMER

Como os potenciais eleitores de Alckmin aprovam Temer?

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O presidente mais impopular da história pode fazer sucessor não no PMDB, mas sim no tucano de plumagem mais exuberante.

Como os potenciais eleitores de Alckmin aprovam Temer?

(Fotos: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

O PSDB é um partido que mostrou pouca fidelidade ao governo atual por suas disputas internas. No entanto, de acordo com as pesquisas eleitorais, a população pode ser um fator de unificação entre os partidos de diferentes legendas.

Na pesquisa Datafolha divulgada no dia 2 de dezembro, o possível eleitor de Geraldo Alckmin para a corrida presidencial de 2018 é aquele que apoia Michel Temer hoje. Enquanto 71% dos 2765 consultados entre 29 e 30 de novembro em 192 cidades avaliam Temer como ruim ou péssimo, somente 46% dos que declaram voto em Alckmin acham a mesma coisa do governo.

No panorama geral, 87% dos eleitores não votariam num candidato indicado pelo presidente, que patina entre 3% e 5% de avaliações positivas. Isso nos leva a algumas conclusões.

Apesar de não ser o anti-Lula, Alckmin ainda é anti-PT

O eleitor de Alckmin parece não ser extremista como o de Bolsonaro e não parece ser adepto dos discursos de João Doria sobre Lula. Seu eleitorado, portanto, parece ser liberal, pró-capitalismo e de centro-direita.

Geraldo Alckmin sinalizou aproximação com a corrente "Esquerda pra Valer" do PSDB. Mas é difícil ver o governador, ex-Opus Dei, como alguém simpatizante de ideias igualitárias do socialismo ou da social-democracia.

E ninguém pode esquecer a mão de ferro do Alckmin presente na Polícia Militar do seu estado.

Para o PSDB, abandonar Temer é mau negócio

Como os potenciais eleitores de Alckmin aprovam Temer?

A delação premiada de Joesley Batista e da JBS atingiu em cheio o PMDB e o PSDB, mas os eleitores das duas legendas acreditam que as acusações de corrupção do PT são mais graves. O envolvimento do partido na Lava Jato, no entanto, deixou os tucanos descontentes. Num primeiro momento, foi Alckmin quem tentou costurar um acordo nos bastidores para tirar o partido do governo. Ele foi sabotado por seu discípulo, João Doria Jr., que tentou se tornar o candidato de Michel Temer ou de Rodrigo Maia pelo DEM.

Depois foi a vez que Aécio Neves tentar tirar o tucanato para se proteger da Justiça. O plano não deu certo na medida que o próprio Alckmin ganhou força para 2018. Num movimento contrário, o governador de São Paulo decidiu ficar com Temer, por não enxergar mais ameaças, e, dessa forma, alcançou a presidência do PSDB no lugar de Aécio.

Segundo a repórter Gabriela Sá Pessoa, da Folha de S.Paulo, o governador e o presidente estão pacíficos. No dia 2 de dezembro, Temer e Alckmin entregaram moradias populares em Limeira, no interior de São Paulo, e disseram a jornalistas que a ruptura será "cortês e elegante", com "entendimento".

Como os potenciais eleitores de Alckmin aprovam Temer?

"Ruptura cortês" não parece ruptura. A impressão que dá é que o PSDB pode ser o candidato informal do PMDB de Michel Temer no ano que vem.

Enquanto isso, o PMDB de Roberto Requião e Renan Calheiros deve fechar com Lula. A ver.