ELEIÇÕES 2018

Como Rodrigo Maia pode concorrer a presidente sem deixar o cargo na Câmara?

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O "Botafogo" da lista da Odebrecht vai ter um privilégio que outros políticos não terão. No entanto, sobre ele recaem novas acusações de corrupção.

Como Rodrigo Maia pode concorrer a presidente sem deixar o cargo na Câmara?

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas)

O presidente da Câmara dos Deputados começou 2018 com a bola toda. O DEM, seu partido, está sendo cotado para lançar um candidato de centro e ele é ventilado como nome favorito. Mas os ventos favoráveis não batem apenas em torno do seu nome.

Rodrigo Maia está sendo sondado para ser o candidato presidencial do DEM em 2018. E conta com uma vantagem de cara. Em meados de dezembro, o jornal O Estado de S.Paulo informou que seu nome é o único que "poderia unificar" o Brasil. No dia 4 de janeiro a Coluna do Estadão, feita pela jornalista Andreza Matais, informou que Maia poderá concorrer sem deixar a cadeira da presidência da Câmara. É uma clara vantagem política no processo.

Para se ter um exemplo, o governador tucano Geraldo Alckmin terá de deixar seu cargo em São Paulo no mês de abril para disputar a Presidência. O mesmo se aplica ao pré-candidato Henrique Meirelles, que precisará se sair do Ministério da Fazenda caso decida concorrer pelo PSD. Há uma estimativa de que Michel Temer perca 13 ministros, entre pré-candidatos e políticos que vão tentar se reeleger em 2018.

A permanência de Maia na cadeira de presidente da Casa é assegurada no artigo 14 da Constituição Federal, que diz o seguinte no inciso nono: "lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta".

A saída de Rodrigo Maia da Câmara dos Deputados poderia deixar o Poder Legislativo instável. Por isso ele perde o direito de suceder Temer a partir do dia 6 de abril, quando protocolar sua candidatura, mas continua regendo as votações da Casa.

Com todos os ares otimistas, Maia já fez uma visita a Paulinho da Força Sindical no dia 5 de janeiro. Ele não esconde mais que é candidato e que quase virou presidente da República com a crise de Michel Temer com as delações da JBS e de Joesley Batista.

Problemas com acusações

Mas nem tudo são rosas para Rodrigo Maia. Ele é acusado de ser o codinome "Botafogo" das planilhas de propinas da Odebrecht investigadas pela Operação Lava Jato. Ele estaria enrolado no esquema junto de seu pai, o ex-governador do Rio de Janeiro César Maia.

E há acusações mais recentes. A Cervejaria Petrópolis, dona da Itaipava, teria feito doações de caixa três nas campanhas políticas de 2008, 2010, 2012 e 2014. Os pagamentos de propina teriam sido feitos a pedido da própria empreiteira Odebrecht e totalizam R$ 120 milhões. As denúncias foram divulgadas pelo jornalista Reynaldo Torollo Junior na Folha de S.Paulo.

Maia teria sido beneficiado diretamente pelo caixa três. Segundo o jornal, a Polícia Federal teria localizado na prestação de contas da campanha do político em 2014 uma doação de R$ 200 mil da empresa Praiamar Indústria Comércio e Distribuição, ligada à cervejaria. A empresa repassou propina ao diretório nacional do DEM que repassou a Maia.

Caixa três é a prática de corrupção por empresas terceirizadas no processo. Não é o caixa um, que é a doação auditada, e nem o caixa dois, o chamado "pagamento por fora".

Mesmo com acusações deste naipe, Rodrigo Maia quer alçar voos mais altos.