OUTROS

Como Trump e Doria derrubam o mito de que "todo o populismo é de esquerda"

Author

Este mito sempre foi mentiroso, mas está mais aparente como nunca em 2017. Entenda por que o populismo de direita serve para enganar eleitores tanto quanto o de esquerda. E saiba como eles são igualmente inócuos.

Como Trump e Doria derrubam o mito de que "todo o populismo é de esquerda"

A expressão "populismo" ganhou força entre os séculos 19 e 20, quando o poder na Rússia migrou do Czar para os camponeses e trabalhadores. A formação dos sovietes e a revolução de 1917 colocaram Vladimir Lênin no poder. Depois veio Stalin e a mão de ferro da União Soviética. 

E o resto é história.

Na América Latina, o populismo se notabilizou com os chamados "caudilhos", como Fulgêncio Batista em Cuba (antes do falecido Fidel Castro), Getúlio Vargas no Brasil e outros. Tratam-se de governos de Estado forte sustentados por redes de apoio populares que não suportam rivalidade. A partir do século 20, o populismo saiu da esquerda e deu face a governos de direita e até fascistas - caso de Vargas no Brasil, embora também fosse desenvolvimentista.

Como Trump e Doria derrubam o mito de que "todo o populismo é de esquerda"

Nos anos 2000, Hugo Chávez foi classificado como um novo caudilho de esquerda, embora tenha fortalecido as estruturas venezuelanas, diferente do camarada Nicolás Maduro, seu sucessor. E, no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva foi apontado como novo caudilho, embora a oposição do PSDB tenha ficado mais de 20 anos no poder em São Paulo, contra 13 da administração do PT no governo federal.

Como Trump e Doria derrubam o mito de que "todo o populismo é de esquerda"

Eis que surge o Tea Party nos Estados Unidos, como uma reação popular das elites, e a extrema-direita Europeia contra governos de esquerda do Estado do Bem-Estar Social. Embora não sejam diretamente relacionados com novos governantes, eles vão iniciar um processo de reação às esquerdas. Assim surge Donald Trump na presidência americana e João Doria Jr. na prefeitura de São Paulo como frutos deste novo populismo entre 2010 e 2017. É a reação de parte da direita americana para se proteger através de políticas protecionistas, xenofóbicas e (por que não?) nacionalistas.

A linha de raciocínio parece similar a da Alemanha pós-Republica de Weimar e pré-Hitler. Depois de um período de paz recheado de tensões, o mundo caminha para inflamar. Mas desta vez não será numa revolução que colocará o povo no poder, e sim a velha elite branca, masculina e machista de sempre.

Trump canetou em menos de 10 dias de governo uma lei proibindo a entrada de refugiados de sete países: Irã, Iraque, Síria, Iêmen, Somália, Sudão e Líbia. A base da legislação que valerá três meses são ataques terroristas feitos supostamente "por estes países", sendo que o 11 de setembro aconteceu por terroristas sauditas e egípcios.

Doria vestiu-se de gari, pedreiro, cadeirante e prometeu um almoço a um mendigo para depois tirar uma foto sem sua autorização. Diz-se antenado com as necessidades do paulistano, mas apagou grafites milionários da cidade com tinta cinza, além de perseguir pichadores. Agrada à classe média reacionária, mas não satisfaz os pobres que o elegeram, cansados também da política do PT.

O populismo de direita nos levará até a catástrofe, mais do que a esquerda.