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E se o embaixador Celso Amorim for o plano B de Lula?

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Um novo nome surge nos bastidores ao redor do Partido dos Trabalhadores. Será que é uma alternativa melhor do que Fernando Haddad ou Jacques Wagner?

E se o embaixador Celso Amorim for o plano B de Lula?

(Foto: Agência Brasil)

Política é também especulação. Sobretudo num ano pré-eleitoral com o país polarizado, dividido e tomado por escândalos de corrupção. As especulações sobre a disputa presidencial mostram que o governo Michel Temer é um fracasso completo. Por isso, o debate se centra nos nomes que podem assumir o comando do Brasil.

Lula é indiscutivelmente o nome mais forte como candidato de esquerda e de centro-esquerda. A história do ex-metalúrgico que se tornou presidente por dois mandatos e tirou o país do Mapa da Fome internacional através de programas sociais como o Bolsa Família ganha força numa economia em recessão. Datafolha, DataPoder360 e outros institutos de pesquisa jogam o petista na frente das intenções de voto, em primeiro lugar com cerca de 30%. Os problemas de Luiz Inácio Lula da Silva são sobretudo sua rejeição frente parte do eleitorado e o risco dele ser condenado em segunda instância na Operação Lava Jato no processo do triplex do Guarujá.

Suas maiores ameaças são os candidatos Jair Bolsonaro e Marina Silva, que atingem eleitorados de centro, centro-direita e extrema-direita. Geraldo Alckmin e João Doria Jr., embora sejam os opositores naturais de Lula, não o ameaçam nas pesquisas um ano antes das eleições.

O PT diz que "não tem plano B" para a candidatura de Lula, mas diferentes jornalistas e analistas políticos apontam pelo menos três nomes que poderiam substituir o ex-presidente se ele for impedido. Ciro Gomes, Fernando Haddad e Jacques Wagner. Dos três, Ciro já está disposto a tentar a Presidência pelo PDT independente das aspirações do PT. Haddad nega intenção de tentar uma candidatura e Wagner não comenta o assunto. Os três têm experiência como ex-ministros dos governos de Lula e Dilma. No entanto, nenhum deles pontua mais de 10% nas pesquisas eleitorais, repetindo Doria e Alckmin na performance diante dos institutos.

E se um quarto nome for especulado? Quem seria a pessoa que não tenha atacado diretamente Lula ou seu legado (caso de Ciro), alguém que não tenha sido derrotado por Doria (Haddad) ou que não esteja encrencado na Lava Jato (Jacques Wagner)?

O "embaixador dos pobres"

Fontes próximas ao PT, que pediram sigilo, asseguraram a esta coluna no Storia Brasil que o nome do embaixador Celso Amorim é cogitado como um plano B de Lula. A discussão ainda é muito preliminar e um dos primeiros indícios disso é que parte dos petistas deseja que Amorim tente o governo do Rio de Janeiro, de acordo com reportagem de Cátia Seabra na Folha de S.Paulo. A indicação teria sido reforçada pelo próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os integrantes da CNB (Construindo um Novo Brasil), maior corrente interna do Partido dos Trabalhadores, analisam o cenário político, mas a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, e outras lideranças mantêm o discurso de "eleição sem Lula é golpe". Um dos nomes que resiste ao plano B é José Genoíno, que foi condenado e preso no Mensalão.

Celso Luiz Nunes Amorim tem 75 anos e é diplomata formado pelo Instituto Rio Branco com pós-graduação em Viena, na Áustria. Teve uma breve carreira no cinema, ocasião em que denunciou torturas da ditadura militar, e voltou para as relações exteriores.

Entrou no serviço público como secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia, entre 1987 e 1989 por seleção do diretor-geral para Assuntos Culturais no Ministério das Relações Exteriores, Abreu Sodré. Depois foi nomeado diretor-geral para Assuntos Econômicos em 1990 e, em 92 assumiu pela primeira vez a chefia de uma missão no exterior, ao tornar-se representante do Brasil no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).

Entre 93 e 95, foi ministro de Relações Exteriores do governo Itamar Franco, e, nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, foi embaixador de missões do Brasil no exterior. Tornou-se novamente ministro nos dois governos Lula, defendendo uma maior aproximação de países latino-americanos, uma postura crítica ao governo americano nas guerras do Afeganistão e do Iraque, além de uma aproximação com o Irã.

Por fim, foi ministro da Defesa do primeiro governo Dilma. Celso Amorim fez, mesmo filiado ao PT, parte de pelo menos quatro governos diferentes do período democrático e nunca se envolveu com escândalos de corrupção.

À repórter Júlia Dias Carneiro, da BBC Brasil, Amorim diz que o "toma lá dá cá" de Brasília é "quase sexo explícito". Seus posicionamentos públicos têm sido contrários ao chanceler de Michel Temer, o tucano Aloysio Nunes, que foi agressivo nas relações exteriores com a Venezuela.

Em setembro deste ano, Celso Amorim publicou um texto em que chamou Lula de "líder do povo e homem de Estado".

Seria o próprio Amorim o "embaixador dos pobres", caso seja o plano B do PT? 

Nossas fontes consultadas e próximas ao PT garantem que ele pode surpreender nas eleições presidenciais se for candidato.

E quem seria vice?

As mesmas fontes que consultamos afirmam que a economista Laura Carvalho, colunista da Folha de S.Paulo e crítica do governo Temer, seria cotada para a ser a vice de Celso Amorim. O "embaixador dos pobres", o "embaixador da esperança", estará muito bem acompanhado se topar a disputa.