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Há esperança: o pior Congresso da história pode ser mudado em 2018

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Está escandalizado com compra de emendas parlamentares e com congressistas que traem suas convicções ideológicas em nome de parcerias feitas pelo dinheiro público? Seus problemas acabaram! Mas a responsabilidade pela mudança é sua, também.

Há esperança: o pior Congresso da história pode ser mudado em 2018

(Foto: Lula Marques/ AGPT/Fotos Públicas)

A urna não é a única via de fortalecimento da democracia, mas é uma das principais. Para evitar os acontecimentos recentes da política no ano que vem, é necessário exercer o voto consciente. E ele é muito mais importante no caso de deputados e de senadores em comparação com o voto presidencial.

O Instituto Datafolha registrou um recorde histórico na rejeição da atividade do Congresso Nacional no dia 6 de dezembro de 2017. Seis entre dez brasileiros reprovam os parlamentares, sendo este o pior índice de rejeição desde quando a entidade passou a medir este índice. A aprovação de senadores e deputados caiu para 5%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 29 e 30 de novembro e mostra que 60% dos brasileiros consideram ruim ou péssimo o desempenho dos atuais 513 deputados federais e 81 senadores. Em 25 anos de levantamento, o Datafolha só detectou um período em que a avaliação positiva superou a negativa no Congresso Nacional: em dezembro de 2003, com um ano de Lula no poder.

Há esperança: o pior Congresso da história pode ser mudado em 2018

(Foto: Lula Marques/ AGPT/Fotos Públicas)

A decadência dos índices se deu desde quando o ex-deputado Eduardo Cunha assumiu o posto de presidente da Câmara dos Deputados. 

Há esperança: o pior Congresso da história pode ser mudado em 2018

(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/Fotos Públicas)

O Poder Legislativo articula projetos de lei, encaminha demandas da população e garante que o poder presidencial não prevaleça sobre os demais. No caso de perda de base entre deputados e senadores, o processo de impeachment garante que a legitimidade das autoridades seja mantida, embora derrubar uma presidente eleita sob o argumento de que as chamadas "pedaladas fiscais" quebraram o Brasil não é exatamente o que podemos chamar de válido.

Cada deputado e senador foi eleito com o voto dos brasileiros, que muitas vezes cederam apoio em troca de favores no Congresso. Empresas que financiaram as campanhas de políticos exigem as relações corruptas entre poder público e privado. No entanto, se eles supostamente roubam milhões para barrar denuncias criminais de um presidente que foi gravado na Operação Lava Jato, tudo é feito com o nosso consenso.

Quer mudar o Brasil em 2018? Fique atento aos nomes que vão disputar cargos legislativos. Saiba do lobby pesado de bancas alugadas, como a da Bala (policiais e militares), da Bíblia (pastores evangélicos) e do Boi (agronegócio).

Eles atendem a muitos interesses privados. E este não é o interesse das classes pobres brasileiras, sempre menosprezadas pelo Congresso. O que explica sua desaprovação recorde.

E, como diz Bernardo Mello Franco, na Folha, "Congresso ruim é melhor do que Congresso nenhum". O sonho de quem defende ditadura é justamente tirar poder legislativo da política.