MICHEL TEMER

Henrique Meirelles diz que é presidenciável; o que esperar dele em 2018

Author

Ministro de Michel Temer tem algo a oferecer como possível candidato no ano que vem?

Henrique Meirelles diz que é presidenciável; o que esperar dele em 2018

(Fotos: José Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Sem candidato claro e com apenas Jair Bolsonaro em destaque, a direita brasileira busca um oponente para Lula. Com o derretimento do PSDB, novos nomes são cogitados, como é o caso do apresentador da TV Globo Luciano Huck. A direita tenta se disfarçar no debate, falando que é necessário um "candidato de centro".

Henrique Meirelles diz que é presidenciável; o que esperar dele em 2018

Aos repórteres Robson Bonin e Daniel Pereira, da revista Veja, o ministro Henrique Meirelles confirmou pela primeira vez que é realmente um "presidenciável" para 2018. O titular da Fazenda do governo Michel Temer acredita estar fazendo um bom trabalho na recuperação da economia e pode transformar isso num legado para a próxima gestão.

Meirelles está com 72 anos e vê um futuro político como figura do PSD, partido criado por Gilberto Kassab depois de deixar a Prefeitura de São Paulo. E ele já elenca adversários. "Vi a questão da candidatura no debate da Previdência, na questão da distribuição de renda e quando a Gleisi Hoffman (senadora e presidente nacional do PT) veio com a história do número de pobres, dizendo que eu não vejo o número de pobres nas ruas. Nesse ponto, percebi que esse será o tema da campanha. A campanha será pautada na política social. Estou preparado para enfrentar esse discurso populista do PT. Diria até que estou acostumado, pois já tive embates com o PT que eram exatamente iguais quando era presidente do Banco Central no governo Lula."

Henrique Meirelles diz que é presidenciável; o que esperar dele em 2018

Apesar de chamar petistas de "populistas", Henrique Meirelles mostra um certo respeito pelo ex-presidente e futuro oponente. "A candidatura do Lula não é uma novidade nos últimos 30 anos. O Lula é relevante há muito tempo e é legítima a posição dele. Trabalhamos juntos, discordamos um do outro muitas vezes, mas ele tem a posição dele e o eleitorado dele. É correto que exista essa posição no Brasil, que eu nem chamo de esquerda, chamo de trabalhista. E tem o Bolsonaro, que é o surgimento da direita no Brasil, que cedo ou tarde iria ocorrer. Mas tem um caráter surpreendente. O fato de surgir um candidato de direita é absolutamente previsível, todo pais tem, o que é surpreendente é que o Bolsonaro é um ex-militar que defende o regime militar".

O que podemos esperar de uma candidatura Meirelles no ano que vem? E o que de fato ele representa no cenário?

Passado controverso

Henrique Meirelles diz que é presidenciável; o que esperar dele em 2018

Filho de Hegesipo de Campos Meireles, que foi interventor federal interino em Goiás e ex-advogado do Banco do Estado de Goiás, Henrique Meirelles entrou no BankBoston em 1974 e ficou por 28 anos. Do tempo total, foi presidente da entidade por 12 anos. BankBoston acabou deixando o país depois de sua gestão.

Era filiado ao PSDB e saiu da legenda para se tornar presidente do Banco Central sob o governo Lula. Ficou de 2003 até 2010, com uma trajetória bem-sucedida de crescimento do PIB e controle da inflação, tanto ao lado do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci quanto do ex-ministro Guido Mantega.

No governo Dilma, foi trocado por Alexandre Tombini e as políticas anticíclicas criadas por Mantega deram espaço para o afrouxamento das contas públicas. Esses fatores aceleraram a crise econômica que deu seus primeiros sinais em 2012.

Quando Dilma foi reeleita no auge do caos macroeconômico, com milhões de desempregados, Lula indicou o nome de Henrique Meirelles nos bastidores para fazer reformas no ministério da Fazenda. A ex-presidente recusou.

O jornalista Rodrigo de Almeida, que foi secretário de comunicação da Presidência antes do impeachment, revelou conflitos entre Dilma e Meirelles no livro "À Sombra do Poder" (Editora Leya, 2016). Henrique Meirelles teria tentado tirar Dilma Rousseff da disputa presidencial de 2010 quando soube que ela tinha câncer. O fato afastou a petista do ex-ministro de Lula, aprofundando suas escolhas pouco ortodoxas na economia.

Em 2012, Meirelles também atuou como presidente da holding J&F, responsável pela produtora de proteína animal JBS, dos irmãos Batista. Atingida pela Lava Jato com a delação premiada de Joesley Batista em 2017, o nome de Henrique Meirelles foi mencionado tanto por suas relações dentro da empresa quanto pelo cargo de ministro da Fazenda do governo Temer.

Sobre isso, ele deu uma resposta à revista Veja: "Eu fiquei sabendo pelos jornais do problema todo. Foi uma surpresa. Eles não me contavam isso. No meu contrato, estava dito claramente que eu não participava das operações do grupo. O meu escopo era orientar a criação da plataforma digital do Banco Original".

Meirelles tornou-se ministro de Temer e homem-forte do seu governo em 2016. Na época, ele já não tinha um relacionamento tão próximo com Joesley Batista, aparentemente.

O que esperar dele no ano que vem?

Henrique Meirelles defenderá, numa possível candidatura presidencial, tanto seu trabalho com Temer no corte dos gastos públicos quanto sua biografia ao lado do ex-presidente Lula. O problema é que seus êxitos nos anos do PT também tiveram contribuições importantes de Palocci e Mantega, que hoje são investigados na Lava Jato.

Pela leitura ideológica que é possível fazer de Meirelles, fica claro que ele se colocará à direita do PT e do que chama de "trabalhismo" por considerá-los "populistas". No entanto, seu apelo não será para um discurso anti-Lula, como Bolsonaro e Doria.

A defesa deste novo presidenciável será da economia. No entanto, Temer foi pelo mesmo caminho e amarga apenas 3% de aprovação.

Será que é um caminho válido para um candidato?