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Morre Charles Manson, líder de um culto que aterrorizou os Estados Unidos

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Seita de extremista tentou incriminar negros no fim dos anos 60. Manson morreu aos 83 anos de causas naturais.

Morre Charles Manson, líder de um culto que aterrorizou os Estados Unidos

(Foto: Reprodução/YouTube)

Um símbolo de uma seita extremista dos anos 60 morreu depois de anos em prisão perpétua. Sua ligação com o mundo da música pop internacional o tornou assunto de muitas reportagens depois de seus crimes.

Morre Charles Manson, líder de um culto que aterrorizou os Estados Unidos

(Foto: Reprodução/YouTube)

Charles Milles Maddox, conhecido como Charles Manson, morreu aos 83 anos no hospital de Bakersfield, na Califórnia, neste dia 20 de novembro. Ele estava condenado a prisão perpétua pelos assassinatos que promoveu com a seita "Família Manson" nos anos 60. Ficou mais de 40 anos na cadeia e foi internado no dia 15 de novembro de 2017 com quadro de saúde delicado. Ele já tinha sofrido com hemorragia interna e lesões no intestino desde janeiro deste ano.

Morre Charles Manson, líder de um culto que aterrorizou os Estados Unidos

(Foto: Wikimedia Commons)

Dono de um culto, os seguidores de Manson invadiram a casa de Sharon Tate, que na época era esposa do cineasta Roman Polanski e estava grávida de oito meses e meio, no dia 9 de agosto de 1969. Ela foi assassinada com 16 facadas, e outros quatro amigos que a visitavam também foram esfaqueados, sendo um deles com 51 golpes.

A Família Manson depois espalhou pistas falsas, confundindo a polícia para tentar incriminar os Panteras Negras, um grupo militante político que lutava contra o racismo nos Estados Unidos. Todo o plano fazia parte de uma tese extremista, criada pelo próprio Charles Manson, sobre "guerra racial".

Infância problemática e adolescência em prisões

Manson nasceu no dia 12 de novembro de 1934 em Cincinnati, Ohio, nos EUA. Sua infância foi complicada segundo a BBC citando o biógrafo Jeff Guinn. Aos cinco anos, ele viu a mãe e o irmão serem presos por roubarem uma garrafa de ketchup em um posto de gasolina. O biógrafo afirma que a mãe, alcoólatra, chegou a doá-lo a uma garçonete em troca de cerveja, quando era criança. 

A transação teria sido desfeita por um familiar dias depois. Charles Manson passou por uma série de reformatórios e prisões. Em 1966, Manson funda "A Família", uma comunidade supostamente hippie que reunia mais de 30 pessoas, principalmente mulheres, segundo estimativas do promotor Vincent Bugliosi que investigou a morte de Tate.

Charles Manson acabou reunindo pessoas que demostravam profunda hostilidade contra a sociedade em sua seita. Ele dizia acreditar que brancos e negros travariam uma verdadeira guerra em solo americano.

Em suas pregações, Manson afirmava que o White Album (Álbum Branco) dos Beatles, especialmente a música Helter Skelter, seria uma espécie de quebra-cabeças com revelações codificadas sobre a iminência do confronto racial pelo poder no país. O disco de 1968 do quarteto de Liverpool foi utilizado por Charles Manson para "acelerar" a suposta guerra racial por meio de assassinatos. Ele buscava falsamente associá-los a negros.

Além de roubos, três prisões, alcoolismo e passagens por psicanalistas, que o retrataram como lunático, Manson também tem outras ligações com a música além dos Beatles. Ele tocou com o baterista e co-fundador dos Beach Boys, Dennis Wilson. Charles Manson fez parte brevemente da cena musical de Los Angeles.

Crimes e prisão perpétua

A Família Manson assassinou Sharon Tate e o casal Leno e Rosemary LaBianca no dia seguinte. Os crimes foram seguidos com orientações do líder do culto para que houvesse muita violência. Manson foi descoberto e condenado à morte, além de ter seus seguidores presos.

A maior parte da Família era formada por mulheres que pretendiam ter relações românticas com Manson. Eles foram condenados a prisão perpétua na Califórnia. A condenação de Charles Manson tornou-se inconstitucional no estado a partir de 1972 e ele permaneceu preso até a morte.

Na década de 70, a revista Rolling Stone fez uma entrevista com ele da cadeia chamando-o de "o homem mais perigoso da América". Nos anos 80, ele apareceu com uma suástica tatuada na testa, no lugar do x que estava demarcado em sua prisão.

No ano de 2012, a defesa de Charles Manson apresentou um pedido de liberdade antecipada que foi rejeitado. Ele teria que esperar até 2027 para fazer um novo pedido. No fim de 2014, Manson pediu autorização para casar com uma mulher de 26 anos chamada Afton Elaine Burton, mas ele depois desistiu da ideia.

É irônico que sua morte seja divulgada no mesmo dia do feriado do Dia da Consciência Negra no Brasil, 20 de novembro. Ele morreu no dia anterior. 

E a história de Manson é a prova viva que o racismo existiu, e ainda existe, na América.