POLÍTICA

O Plano B do PT pode não ser um candidato, mas um vice

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O Plano B do PT pode não ser um candidato, mas um vice

(Foto: Divulgação/Facebook)

O ex-presidente petista foi condenado duas vezes no âmbito da Lava Jato no processo envolvendo o apartamento triplex do Guarujá. Na primeira pena, dada pelo juiz Sérgio Moro de Curitiba, ele vai ter que cumprir nove anos e seis meses. O TRF-4 de Porto Alegre quer que ele cumpra 12 anos e um mês.

Luiz Inácio Lula da Silva pretendia se candidatar novamente ao cargo de presidente da República para realizar um terceiro mandato após os retrocessos de Michel Temer e seu legado de programas sociais em xeque. Com as decisões das Cortes e a pressão do Ministério Público para prisões em segunda instância, seu nome pode não estar formalmente na urna eletrônica em 2018.

Há duas opções de planos B viáveis dentro do PT para substituir seu nome com sua bênção. Uma delas é a do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Razoavelmente jovem e bem articulado, ele não acumula escândalos de corrupção exceto por um indiciamento da Polícia Federal num dos desdobramentos da Operação Lava Jato, a Cifra Oculta. É um acadêmico crítico da USP que implantou as ciclovias e ciclofaixas na capital paulistana, pensando numa cidade além dos carros.

O Plano B do PT pode não ser um candidato, mas um vice

(Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas)

O outro nome é o do ex-ministro de Dilma, Jacques Wagner. Acusado de envolvimento direto no Petrolão investigada na Lava Jato, ele é um nome com mais experiência para ocupar as funções de Lula. Assumiu o governo da Bahia e fez sucessor lá, o que o qualifica para tentar alçar voos mais ambiciosos em terreno nacional.

O Plano B do PT pode não ser um candidato, mas um vice

(Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

No entanto, pode ser que nem um nome ou outro sejam colocados na disputa no lugar de Lula. Ao invés de um plano B, o PT está elaborando uma estratégia mais sofisticada e menos vulnerável de estar presente na corrida eleitoral de 2018.

O plano de colocar um vice na disputa

A jornalista Helena Chagas, dona do site Divergentes e ex-ministra da Comunicação de Dilma Rousseff publicou um texto no dia 25 de janeiro afirmando que Lula busca um novo pacto com as esquerdas. Ele quer reunir todas as candidaturas esquerdistas e centro-esquerdistas para uma conversa.

Ciro Gomes (PDT), Manoela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) e Aldo Rebelo (PSB) estão sendo sondados para manter um cessar-fogo e um pacto de não-agressão com o ex-presidente. Em troca, com uma provável prisão do petista, ele vai indicar seu "poste" não dentro da legenda, mas entre os aliados ideológicos.

Por essa razão, além da falta de dinheiro, o PSB não avança em conversas com o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que também sonda a Rede de Marina Silva. Ciro, que criticou pesadamente Luiz Inácio Lula da Silva por suas alianças com Michel Temer, leu o processo do petista e disse que não existem provas suficientes para levá-lo a cadeia.

Com mais demonstrações públicas de fidelidade, depois de críticas mais pesadas, é Ciro Gomes que pode acabar recebendo um vice do PT para dar musculatura para sua candidatura. Um nome cogitado é o de Fernando Haddad.

Haddad nega e não conversa sobre plano B ou plano de ser vice.

Mas sabemos que, mesmo com silêncio, é isso que é conversado nos bastidores das maiores legendas de esquerda do Brasil.

A ascensão de Michel Temer por meio de um impeachment vergonhoso mostrou que ser vice pode não ser um problema para o PT, porque é um cargo com influência política. A nova estratégia também pode tirar o partido dos holofotes para sua correta autocrítica.