POLÍTICA

Por que Boulos é uma boa alternativa para o PSOL em 2018

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As eleições presidenciais do ano que vem precisam de mais candidatos com um pé bem fixo na rua.

Por que Boulos é uma boa alternativa para o PSOL em 2018

(Fotos: Mídia Ninja/Creative Commons)

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) surgiu em 2004, no pré-escândalo do Mensalão, com belo logo do sol sorridente desenhado por Ziraldo. Foi fundado por Heloísa Helena, Babá, João Fontes e Luciana Genro, que foram expulsos do PT por não concordarem com as primeiras políticas do governo Lula. Eles tiveram apoio de intelectuais de peso como Fabio Konder Comparato, Aziz Ab'Saber, Milton Temer, Chico de Oliveira, Ricardo Antunes, João Machado, Leda Paulani, Leandro Konder, Paulo Arantes e Carlos Nelson Coutinho.

Depois de apostar em Plínio de Arruda Sampaio e Luciana Genro para a disputa presidencial, começou um burburinho forte dentro do partido de esquerda que prega a liberdade. Guilherme Bouloslíder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entrou no radar do PSOL para 2018. A informação é de Ricardo Galhardo e Pablo Pereira no jornal O Estado de S.Paulo.

O deputado Chico Alencar, cotado para a disputa, declinou no dia 17 de outubro a intenção de se tornar presidente da República pelo PSOL. A decisão levou o deputado Ivan Valente a considerar uma reunião com Boulos para sugerir que ele tope a empreitada. “O PSOL vai fazer uma sinalização em direção ao Boulos. Ele tem posições ideológicas e programáticas bastante próximas do partido e agora devemos convidá-lo para uma reunião da direção”, disse Valente ao Estadão.

Por que Boulos é uma boa alternativa para o PSOL em 2018

Boulos até o momento não respondeu à sondagem, mas criticou duramente o deputado Jair Messias Bolsonaro, o representante da extrema-direita nas eleições de 2018. Formado em filosofia pela USP com especialização em psicanálise, Guilherme Boulos é uma clara representação de esquerda que reúne tanto formação intelectual quanto trabalho de base com movimentos de rua.

Embora tenha uma relação de amizade com o ex-presidente Lula e seja querido por muitos do PT, Boulos tem críticas ao posicionamento centrista e aberto dos petistas com setores reacionários do PMDB. Chefiando um movimento que existe desde 1997 como uma parte do MST, Guilherme Boulos atende a demandas próprias de uma população marginalizada que precisa de um teto para morar.

No entanto, nem tudo são flores para o novo nome do PSOL.

Problemas com black blocs e anarquistas

Por que Boulos é uma boa alternativa para o PSOL em 2018

Apesar de ser uma força política nova de rua, o que lembra Lula nos comícios do ABC, Guilherme Boulos ainda representa a luta de classes institucionalizada, o que o afasta de grupos black blocs e anarquistas que recorrem de táticas mais agressivas de protesto. Ele próprio protagonizou desentendimentos ao se envolver em confusões envolvendo seus militantes e manifestantes mascarados.

As brigas internas que Boulos têm dentro da esquerda podem o levar a ser visto apenas como "linha auxiliar do PT" nas eleições de 2018. Esta, aliás, tem sido a reclamação de boa parte dos esquerdistas à respeito dos posicionamentos do PSOL depois que Dilma Rousseff subiu ao poder e caiu nas garras de Michel Temer.

Baixas chances de vitória

O Datafolha publicou uma pesquisa neste começo de outubro mostrando que Chico Alencar tinha apenas 1% das intenções de voto pelo PSOL para a disputa no ano que vem. Embora Guilherme Boulos coordene um grupo de rua que agrupa 40 mil famílias nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Amazonas, Roraima, Ceará, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo, é difícil pensar que ele tenha uma grande expressividade eleitoral hoje.

No entanto, mesmo com baixas chances de vitória, a ideia de colocá-lo no páreo pelo PSOL pode ser um bom teste para um novo nome à esquerda. E para realmente tentar empurrar uma série de pautas que são sufocadas pelo ideário neoliberal que jogou o Brasil na crise que se encontra.