POLÍTICA

Por que Dallagnol, da Força-Tarefa da Lava Jato, é criticado por palestras?

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Considerações sobre o procurador do Ministério Público de Curitiba que diz que Lula é o chefe do "esquema criminoso de poder", mas não consegue explicar suas próprias fontes de renda.

Por que Dallagnol, da Força-Tarefa da Lava Jato, é criticado por palestras?

Fora a figura do juiz de primeira instância Sérgio Fernando Moro, a segunda figura mais conhecida da Força-Tarefa de Curitiba é o procurador Deltan Dallagnol. Evangélico da Igreja Batista e surfista, é Dallagnol o autor e apresentador do famoso power point que apontava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o único culpado das corrupções do Petrolão e do PT.

O procurador foi alvo de uma reportagem do Diário do Centro do Mundo, feita pelo jornalista Joaquim de Carvalho (foto acima), por especulações utilizando imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Criado pelo governo Dilma Rousseff, ele foi desenhado para disseminar moradias populares e não para renda imobiliária. Joaquim realça que Dallagnol não cometeu crime, mas tomou uma atitude imoral considerando seu cargo como procurador do Ministério Público encarregado de uma das maiores investigações de corrupção do país.

Na época, o repórter do DCM conseguiu entrevistar Deltan Dallagnol. Após um encontro pessoal com o procurador em Curitiba, durante o depoimento de Lula, ele não respondeu mais os contatos de imprensa do site de esquerda.

Mas esta não é a única controvérsia de Dallagnol.

O procurador passou a ganhar entre R$ 30 e 40 mil em conferências na agência MotiveAção Palestras. A empresa trabalha também com a jornalista Ana Paula Padrão e Caio Ribeiro. O nome da companhia, como já deixa subentendido, traz histórias de superação e autoajuda.

A carreira rentável do procurador veio à público no dia 15 de junho. Dois dias depois, a empresa tratou de apagar referências a ele no site. Medo de retaliação política?

A defesa de Lula processa o procurador pelo power point, enquanto Deltan Dallagnol acusa o ex-presidente de ser um "general em crime de guerra".

O caso de enriquecimento do procurador do Ministério Público não é um caso isolado. Sérgio Moro fez uma palestra vazia para a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). Fez um pronunciamento de graça para as Editoras Abril e Globo? Todos os envolvidos na Lava Jato não estão ganhando com tamanha publicidade na grande imprensa?

Lembrando que o próprio Lula fez dinheiro em palestras internacionais. Seu Instituto Lula chegou a arrecadar R$ 300 mil por palestra, valor similar ao de ex-presidentes como Bill Clinton e Barack Obama, embora elas sejam objeto de investigação no Petrolão.

Quem vai investigar as palestras dos "investigadores-acusadores" da Lava Jato? Deltan Dallagnol merece a polêmica que carrega hoje na imprensa.