ELEIÇÕES 2018

Por que Manuela D'Ávila pode ser uma boa presidenciável para o PCdoB?

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Deputada de esquerda militante nas redes sociais e exemplar na atuação, a jovem Manuela pode contribuir para o debate - e é mais uma candidata a fazer oposição ao polêmico Jair Messias Bolsonaro.

Por que Manuela D'Ávila pode ser uma boa presidenciável para o PCdoB?

(Fotos: Divulgação/Facebook)

Aos poucos, não só a direita, mas também a esquerda vai mostrando os nomes que são viáveis para a tentativa de construção de um governo para 2018. Os mais fortes até o momento são Luiz Inácio Lula da Silva, que se mantém como favorito da disputa com em torno de 30% das intenções de voto, e Ciro Gomes, que tem apenas 5% do público votante, mas ainda tem potencial de crescimento.

Por que Manuela D'Ávila pode ser uma boa presidenciável para o PCdoB?

Os jornalistas Pedro Venceslau e Paula Reverbel publicaram no Estadão que a deputada Manuela D'Ávila é pré-candidata à presidência pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB).  Com apenas 36 anos, a congressista seria a mais jovem a tentar uma cadeira no Palácio do Planalto.

O anúncio da intenção do partido comunista deixou petistas irritados nos bastidores, nas redes sociais e na imprensa. O PCdoB não lança candidato desde a redemocratização e sempre fortaleceu as candidaturas de Lula ao Planalto. No entanto, de acordo com a presidente partidária Luciana Santos, a candidatura não afeta a relação da legenda com o PT.

Qual seria o objetivo do PCdoB, então?

Ofensiva contra Bolsonaro

Por que Manuela D'Ávila pode ser uma boa presidenciável para o PCdoB?

Em dezembro de 2014, a deputada chamou Jair Bolsonaro de "potencial estuprador" por suas ofensas à petista Maria do Rosário. "No caso de Bolsonaro, ele agride as mulheres e se empodera pelas recorrentes absolvições. Como lutar por um país sem machismo assim?", pontuou Manuela D´Ávila.

No tabuleiro da esquerda, uma candidatura como a de Manuela D´Ávila pode ser importante para não enfraquecer presidenciáveis que seguem na mesma linha, sobretudo o favorito Lula. Ao contrário do que alguns petistas alegam, não dividir para perder e, sim, para conquistar.

Comunista moderna e exemplar

Manuela D'Ávila utiliza as redes sociais para refutar mentiras que circulam envolvendo seu nome ou de companheiros de partido e não tem uma linguagem restrita ao linguajar de sindicatos ou reuniões de centros acadêmicos. Com didática, ela explica suas críticas ao capitalismo e deixa o público muito à vontade.

Ela fez jornalismo (PUCRS) e ciências sociais (UFRGS), sem concluir nenhum dos dois, no Rio Grande do Sul. Ingressou no movimento estudantil em 1999 pela União da Juventude Socialista (UJS) e foi vice-presidente da UNE. Foi vereadora de Porto Alegre entre 2005 e 2006.

Chegou ao cargo de deputada federal em 2007 e ficou até 2015. Atualmente é deputada estadual pelo Rio Grande do Sul.

Apoiando o deputado Átila Lira (PSB), ajudou a regulamentar a lei do estágio nos ensinos superior e técnico. Também denunciou os abusos de Bolsonaro na Comissão de Direitos Humanos, quando presidiu a entidade em 2011.

No Facebook, um dos seus maiores sucessos é um vídeo comentando textos de reacionários sobre a "cura gay" defendida por deputados evangélicos. O material teve 1,3 milhão de visualizações e pode ser conferido abaixo.

Embora muitas figuras da esquerda defendam que a melhor candidatura é a de Lula, chegar em 2018 sem novos nomes e sem nenhum plano B é um tiro no escuro. A direita não tem candidato, mas possui pré-candidatos variados que podem substituir Bolsonaro em sua derrocada.

Manuela é jovem, defende minorias importantes como os LGBT, é feminista e pode diversificar o debate de maneira positiva sem atrapalhar candidaturas maiores do que a dela.

Não tem nome envolvido em nenhum escândalo e está há anos na vida parlamentar com uma boa comunicação direta ao público. É nova.

E ela pode fazer nome, mesmo que não conquiste votos expressivos em 2018.