POLÍTICA

Por que ser de centro em 2017?

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Nem de esquerda ou de direita? Qual é a diferença do centro e dos extremos? Centrismo é sinônimo de equilíbrio? Por que ser de centro em 2017?

Por que ser de centro em 2017?

Fruto da Revolução Francesa, o centro político não se situava nem entre os jacobinos/sans cullotes (o povo, a esquerda) e os girondinos (os burgueses, a direita). Como escrevi um texto nesta coluna no Storia sobre "Por que ser de esquerda em 2007", é hora de explicar a razão por trás de quem é centrista.

O centro no Parlamento é sobretudo o centro das discussões políticas em regimes republicanos e democráticos contemporâneos. É comum que o centro misture tendências de esquerda e de direita. No Brasil, como o Congresso carrega acusações pesadas de corrupção porque... e no centro que a política real acontece. Não é à toa que o PMDB esteve na posição centrista desde o governo José Sarney e o fim da ditadura militar. Ao lado do extinto PFL (hoje DEM), os peemedebistas fizeram a política de "leva e trás" em governos do PSDB e do PT.

Por isso, é importante ser de centro se você está afim de estar próximo "do poder" e, portanto, da política real. Os extremos, diferente do centrismo, buscam a política por transformações sociais, ou seja, revoluções. O centro, mais conservador em relação aos extremos, acredita mais na reforma.

Sou centrista por querer entrar no debate político mais realista, embora tenha meus próprios idealismos - a maioria deles vinculados com a esquerda. Entendo o sistema capitalista, sou crítico à economia de mercado tal qual desenhada como hoje e acredito que algumas reformas e aperfeiçoamentos podem ser feitas neste sistema. E ser centrista não significa concordar com o "centrão brasileiro", hoje representado por Michel Temer, presidente pós-impeachment de Dilma Rousseff.

Por que ser de centro em 2017?

Citado 43 vezes numa única delação da Operação Lava Jato, Temer deu curso a um movimento pelo fim do governo Dilma que é facilmente traduzido pela expressão "golpe parlamentar". Trata-se de uma derrubada dentro da Constituição, utilizando de suas brechas, sem constatar um crime claro do chefe de Estado. A ex-presidente não foi derrubada por tanques, como no golpe de 64, mas teve seu governo brutalmente interrompido.

O centro brasileiro está profundamente mergulhado na corrupção, a ponto de eleger criminosos notórios como Eduardo Cunha como presidente da Câmara.

Por que ser de centro em 2017?

Por isso, eu acredito numa reforma do centro político. E por isso sou centrista.

É muito mais pelos problemas do centro do que pelos potenciais problemas de uma revolução. Reformistas reais trabalham com números do poder vigente.

E esta coluna segue sempre pela centro-esquerda. E avante.