LAVA JATO

Quais são as novas acusações que envolvem Aloysio Nunes na Lava Jato?

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O ministro de Michel Temer mancha mais a reputação do PSDB na operação que parecia restrita aos nomes do PT e do PMDB nas manchetes de imprensa.

Quais são as novas acusações que envolvem Aloysio Nunes na Lava Jato?

(Foto: Pedro França/ Agência Senado/Fotos Públicas)

Num documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou ser “fato incontroverso” que o ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer recebeu R$ 500 mil da empreiteira Odebrecht. O objetivo foi financiar a campanha dele ao Senado, em 2010. O fato novo joga mais fogo no campo do PSDB, partido aliado do PMDB na presidência, dentro da Operação Lava Jato.

Quais são as novas acusações que envolvem Aloysio Nunes na Lava Jato?

(Foto: George Gianni/ PSDB/Fotos Públicas)

Na mesma semana em que o tucano Aécio Neves é capa da revista Piauí e seu futuro na liderança da legenda é incerto, Aloysio Nunes Ferreira Filho é acertado em cheio pela Operação Lava Jato. A petição de Dodge foi encaminhada ao Supremo no dia 24 de outubro e está nas mãos de Gilmar Mendes. A procuradora pede para investigar a origem do dinheiro e se ele é fruto de propina. A investigação na Odebrecht atinge também o ex-ministro de Relações Exteriores de Michel Temer, José Serra.

Aloysio é o novo chanceler do governo federal e as investigações o afetam desde março de 2017, quando tomou posse do ministério antes ocupado por Serra. Ele nega as acusações que o envolvem na Lava Jato. “A procuradora-geral da República erra gravemente quando afirma ser 'incontroverso' o recebimento de contribuição não declarada da Odebrecht pelo ministro das Relações Exteriores. Na verdade, os delatores não foram capazes de esclarecer quem pagou, nem onde, nem muito menos quem recebeu os recursos”, diz o tucano em nota.

A defesa de Aloysio Nunes fez pedidos à PGR. Raquel Dodge concorda com a solicitação da defesa para desmembrar o processo, mas recomenda a continuidade das investigações. A procuradora também pontua que parte das acusações já prescreveram, porque Serra e Nunes têm 75 e 72 anos, respectivamente. Dodge recomenda ainda que Nunes e Carlos Armando Paschoal, executivo da Odebrecht que delatou o ministro em acordo de delação premiada, prestem novos depoimentos. A procuradora-geral também pede também que Rubens Rizek, coordenador financeiro da campanha do tucano ao Senado, seja ouvido pela Justiça.

Aloysio afirma que teve encontros com o pessoal da Odebrecht, mas nega ter discutido propinas. O dinheiro desviado seria de obras do Rodoanel paulista, mas a empreiteira começou a ser investigada por contratos da Petrobras, alvo de investigação da Lava Jato.

Apreensão de drogas antes da campanha para o Senado

Quais são as novas acusações que envolvem Aloysio Nunes na Lava Jato?

(Foto: Pedro França/ Agência Senado/Fotos Públicas)

Além da Lava Jato, há um caso envolvendo apreensão de drogas em 2009 que também engloba o nome do tucano. Numa semelhança suspeita com o caso do Helicoca de Zezé Perrella, amigo de Aécio Neves, a investigação não mereceu uma apuração mais cuidadosa do Judiciário.

No mês de maio daquele ano, a polícia encontrou um tambor de leite com 19 quilos de pasta base de cocaína, 515 gramas de crack e 13 cartuchos para pistola. O dono das terras era o Aloysio Nunes, então secretário da Casa Civil estadual. O governador naquele tempo era José Serra, aliado do político do hoje ministro de Temer.

O delegado Antônio Mestre Júnior, o “Mestrinho”, chefe da Polícia Civil na área de São José do Rio Preto, não tinha achou culpados, mas inocentou Aloysio Nunes do caso, chamando o político de "doutor", segundo a Folha de S.Paulo. No Diário, publicação local de Rio Preto, a assessoria do tucano declarou que “foi o namorado da filha de seu caseiro, um policial militar, que suspeitou da movimentação e acionou as autoridades”.

As drogas foram incineradas, mas ninguém foi preso no caso. O senador e hoje ministro de Relações Internacionais também não comenta mais sobre.