OUTROS

10 curiosidades sobre a Suíça que você não fazia ideia

Author
10 curiosidades sobre a Suíça que você não fazia ideia

Enfim a seleção brasileira de futebol estreia na Copa do Mundo da Fifa 2018 neste domingo (17/06) contra os suíços. A partida, marcada para as 15h, não é exatamente um desafio para o Brasil quando se trata de uma bola rolando ao longo de um gramado de 105 metros de comprimento, mas em termos de organização social, o país de Roger Federer bate um bolão de dar inveja.

Há quem diga que o tamanho do território (semelhante ao do Estado do Rio de Janeiro) e a quantidade demográfica de 8,4 milhões de habitantes (mais ou menos o que há de gente morando só na região metropolitana fluminense) sejam as principais variáveis que contribuem para a balança da prosperidade abençoar os suíços com uma renda per capita de pouco mais de US$ 55 mil (no Brasil era de US$ 8,6 mil em 2016). No entanto, há um rol de esquisitices e fatos curiosos que mostram que os suíços têm uma maneira diferente de olhar o mundo e de como a sociedade deve ser.

Há problemas ainda graves no país: pouca participação das mulheres na política, taxas elevadas de alcoolismo e uso de drogas (o LSD foi inventado lá!), a neutralidade em relação a crimes financeiros, entre outras questões éticas e sociais que o país ainda deverá encarar.

De resto, é um lugar no mínimo curioso e você vai ver por quê.

1) Sem presidente

A presidente Doris Leuthard, ao lado dos ministros Micheline Calmy-Rey, Eveline Widmer-Schulumpf, Ueli Maurer, Didier Burkhalter, Simonetta Sommaruga, Johann Schneider-Ammann e Corina Casanova (Peter Schneider / AFP/VEJA)
A presidente Doris Leuthard, ao lado dos ministros Micheline Calmy-Rey, Eveline Widmer-Schulumpf, Ueli Maurer, Didier Burkhalter, Simonetta Sommaruga, Johann Schneider-Ammann e Corina Casanova (Peter Schneider / AFP/VEJA)

A Suíça é governada por um Conselho Federal composto por sete pessoas que gerenciam os departamentos federais. Estes são o equivalente aos ministérios brasileiros. Anualmente, um membro desse grupo é eleito internamente como o Presidente do Conselho e há uma rotatividade do cargo entre cada departamento. Apesar de ser uma república democrática, a população suíça não vota diretamente nesses camaradas. Os membros do Conselho são escolhidos pela Assembleia para um mandato de no mínimo quatro, sem restrição de número de reeleições. O que a população escolhe, de fato, são os representantes na Assembleia Legislativa, que organiza regularmente consultas públicas sobre qualquer assunto que achem importante no momento. E você pensa que eles não cobram dessa galera? O tempo todo.

2) Miscelânea de povos

Há quem pense na Suíça como um lugar de gente feliz, rosada e pacata. Na verdade, a Suíça é atualmente uma ebulição de etnias do mundo. Pasme, mas um a cada quatro habitantes da Suíça não nasceu lá. Isso significa que a taxa de imigrantes é de 25% da população suíça, entrando para o rol das mais altas de todo o mundo! Por consequência, o país adotou recentemente um programa antiimigração para frear a entrada desornada de pessoas de outros países e não causar um desequilíbrio social (em parte pelo aspecto cultural e em parte pela sobrecarga dos serviços públicos pelo inchaço demográfico).

3) Quatro idiomas oficiais

10 curiosidades sobre a Suíça que você não fazia ideia

A gente viu que a Suíça é uma colcha de retalhos em relação a etnias, mas isso pode até ter a ver com a própria formação do país. Há quatro idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e o romanche (que é muito próxima do latim e bem frequente na região dos Grisões, no leste do país).

4) Terra natal do chocolate ao leite

Quem inventou o chocolate? Há inúmeras hipóteses para responder esta pergunta e muitas delas estabelecem que a criação deste produto dos deuses aconteceu na Antiguidade. No entanto, foi na Suíça em 1875 que o confeiteiro Daniel Peter resolveu utilizar a invenção do leite em pó, de autoria do químico Henri Nestlé, para misturar ao cacau e criar essa maravilhosidade chamada chocolate ao leite. E vocês sabem: chocolate é endorfina, chocolate é vida. O povo é também o que mais come chocolate no mundo: cada pessoa come uma quantidade total de 11,3 quilos por ano.

5) Apreço pela democracia

Democracia é um troço simples. Se está complicada vai deixando aos poucos de ser democracia. Por isso a Suíça passa as leis pelo voto popular. Se caso um cidadão não concorde com alguma lei sancionada pelo Parlamento, ele tem até 100 dias para coletar 50 mil assinaturas e contestá-la. Nesse caso, será feita uma votação em todo o território suíço para saber a opinião da população. Acredite ou não, isso é feito até hoje em praça pública!

6) Pets só se for mais que um par

10 curiosidades sobre a Suíça que você não fazia ideia

O respeito à qualidade de vida suíça é tanto que até os animais entram nessas regras. É lei que nenhum dono de pet tenha apenas um animal em casa, mas no mínimo um par. Isso é para evitar problemas psicológicos e emocionais nos bichinhos. Isso vale para animais com comportamento social como cães, gatos, papagaios e porquinhos-da-índia, por exemplo. Se o par eventualmente morrer, há todo um comércio para alugar um pet temporário até você arranjar outro. Acredite.

7) Paixão por vela

A Suíça possui 13 Iate Clubes espalhados pelo país. Seria algo absolutamente normal se não fosse o fato de que o território não é banhado pelo mar em nenhuma das suas fronteiras. Os barcos são destinados basicamente a deslizar sobre as águas tranquilas dos lagos suíços, muito embora o desenvolvimento do esporte náutico em alto-mar na Suíça, inexplicavelmente, vença campeonatos mundiais. A equipe Alingui, associada à Sociedade Náutica de Genebra, não somente levou a America’s Cup em 2003 e 2007 como venceu o Extreme Sailing Series em 2008 e 2014.

8) Turismo da morte

Triste, mas o país europeu, com toda sua beleza natural e organização social recebe o que se chama de turismo da morte, isto é, pessoas que viajam até o país para morrer. Isso porque o suicídio assistido e a eutanásia são legais. Há várias clínicas e ONGs que trabalham nos dois lados da moeda da questão prática e ética: os que auxiliam os pacientes a viver e os que auxiliam os pacientes a morrer. Cada cantão suíço lida com a ajuda ao suicídio de uma forma diferente. Cada vez mais asilo de idosos permitem a morte livre: em 2014, 60 de 583 dos suicídios acompanhados da Exit ocorreram em asilos. Na Basileia, por exemplo, os asilos podem decidir se o suicídio acompanhado deve ser tolerado internamente ou não. No cantão de Wallis, de maioria católica, as organizações de suicídio assistido estão proibidas de atuar nos asilos, mesmo sem haver uma lei correspondente. Nos hospitais cantonais de Lausanne, o suicídio assistido é praticado, assim como nos centros da cidade de Zurique. O turismo da morte, aliás, é um dos principais dilemas do governo que deseja impulsionar o turismo ao país por motivos mais felizes.

9) Terra de banqueiros

Não é mito: é verdade. A Suíça é a terra dos banqueiros, o que significa que o setor bancário emprega 2,2% de toda a população do país. Há mais bancos na Suíça do que dentistas: um para cada 1,4 mil habitantes, o que dá um total de 5,8 mil agências no total.

10) Uma Copa do Mundo e nenhum título

A Suíça parece gostar de futebol, muito embora o esporte nacional seja qualquer um dos Jogos de Inverno. O país vai estrear contra o Brasil neste domingo marcando assim a 11ª participação numa Copa do Mundo, desde 1934 (na Itália). O melhor resultado nestes 84 anos de bola nos pés foi no máximo três quartas-de-final (1934, 1938 e 1954). Ainda assim, em 54 o país sediou o Mundial, quando registrou pela última vez a melhor atuação da seleção de todos os tempos. Apenas na Copa de 1950, no Brasil, a Suíça enfrentou a seleção canarinha no estádio do Pacaembu (São Paulo) e que terminou em um enjoado empate de 2 a 2.

Que vençamos neste domingo!