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Açougueiros na França pedem proteção policial em onda de ataques de veganos

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Os donos de um açougue de família dizem que estão vivendo com medo após ataques de militantes veganos em Lile, na França.
Os donos de um açougue de família dizem que estão vivendo com medo após ataques de militantes veganos em Lile, na França.

Parece um conto de Machado de Assis moderno, mas é a realidade mesmo. Açougueiros de algumas cidades de pequeno e médio porte na França estão pedindo proteção policial contra o ataque de veganos! Eles afirmam que vem sofrendo vandalismos e represálias por parte dos adeptos ao estilo de vida que não consome nenhum produto animal (nem carne, nem leite, nem ovos, nem nada). O pedido de proteção policial chegou até o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, para ele intervir e por fim à onda de violência.

O pedido deles vem dias depois de uma rotisserie em Lille, no norte da França, ter sido duramente vandalizada. Foi o quarto incidente desse tipo em questão de semanas no país. Na Hauts-de-France, no norte da França, sete açougueiros e charcuteries foram atacados e pulverizados com sangue falso em abril, sem falar nas perdas de material e de carnes. Vários outros incidentes semelhantes foram relatados na região sudoeste da Occitânia, eles reportaram a Collomb.

Em uma carta ao ministro, Jean-François Guihard, presidente da federação francesa de açougueiros e fornecedores disse: "Estamos contando com seus serviços e com o apoio de todo o governo para parar tão rapidamente quanto possível" tais ataques. Os 18.000 açougueiros da França estavam "preocupados com a exposição excessiva da mídia ao modo de vida vegano", disse o chefe da federação.

Os açougueiros ficaram "chocados" com uma parte da sociedade que "deseja impor seu modo de vida, sem mencionar sua ideologia, à vasta maioria" de franceses que comem carne, acrescentou.

Não são somente os açougueiros que estão na mira deles: peixarias e churrascarias (steak houses) também!

Os ataques consistiram na quebra de janelas e objetos, além da pixação das palavras “Não ao especicismo” nas fachadas da lojas. Popular entre os defensores dos direitos dos animais, o termo "especicismo" sugere que o maltrato de espécies não humanas é uma forma de discriminação semelhante ao racismo ou ao sexismo.

Martine Aubry, a prefeita de Lille, disse que a prefeitura pretende apresentar uma queixa legal contra pessoas desconhecidas. Com apenas cerca de três por cento da população vegetariana ou vegana na França, a noção de deixar de comer carne no cardápio tem sido demorada e até desaprovada em um país orgulhoso de seu boeuf bourguignon e foie gras.

Franceses apontam para um vegano, que elogiou o assassinato de um açougueiro por um terrorista islâmico como "justiça".
Franceses apontam para um vegano, que elogiou o assassinato de um açougueiro por um terrorista islâmico como "justiça".

A onda anti-carnívora começou quando os açougueiros franceses foram manchetes dos jornais locais nos últimos meses, com uma série de reportagens fortes sobre a crueldade nos frigoríficos e fazendas. A federação de açougueiros apontou que, no fim de março, um ativista vegano até mesmo havia comemorado o assassinato de um açougueiro em um supermercado em Trèbes, perto de Carcassonne, por um terrorista islâmico. Que contrassenso, não?