Cientistas descobrem como "editar" o autismo geneticamente

Collection Pequerruchos

Parece que estamos cada vez mais próximos daquele mundo do filme Gattaca (de Andrew Nichol, 1997). Na ficção, a sociedade americana descartou a perpetuação da espécie humana pelos meios reprodutivos normais e passou a praticar a eugenia, ou seja, a manipulação genética dos embriões para dar um passo evolutivo na espécie humana.

Por aqui, no mundo da realidade, a ciência parece trilhar o mesmo caminho. Considerado como uma disfunção genética que leva à inadaptação social, o autismo tem sido mapeado e, recentemente, “editado” dos genes humanos. Após um teste bem sucedido, Hye Young Lee, professora assistente de fisiologia celular e integrativa da Universidade de Texas Health Science Center, em San Antonio, descobriu como alterar a informação genética que estabelece o autismo na criança, ao nascer. Pesquisadores estão realizando um grande avanço depois de usarem a edição de ponta de genes para reduzir significativamente o comportamento repetitivo associado ao distúrbio.

Essa mesma técnica, que foi realizada em camundongos, também poderia ser desenvolvida para tratar condições que vão desde dependência de narcóticos e dor neuropática à esquizofrenia e convulsões epilépticas.

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A técnica, edição do gene CRISPR-Cas9, resultou em uma queda de 30% na prevalência do distúrbio e uma redução de 70% nos traços de autismo (quando há manifestação em nível mais leve, em alguns determinados comportamentos).

Como o DNA de edição foi introduzido em partículas de ouro, a equipe conseguiu controlar quanto de uma proteína (a Cas9) foi entregue, em contraste com as tentativas anteriores de uso de vírus.

68Ainda não existem tratamentos ou curas para o autismo

76Este é o primeiro caso em que fomos capazes de editar um gene causal para o autismo no cérebro e mostrar o resgate dos sintomas comportamentais77

O transtorno do espectro do autismo é um transtorno complexo do desenvolvimento, com um forte componente genético, que se manifesta durante a infância. É caracterizada por déficits no domínio da interação e comunicação social, comportamento estereotipado, atraso de fala e linguagem e também pode estar associada à deficiência intelectual. Estima-se que haja no Brasil cerca de 2 milhões de autistas, entre adultos e crianças.

Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista Nature Biomedical Engineering.

Você sabe o que é autismo?

O autismo é uma deficiência de desenvolvimento ao longo da vida que afeta uma em cada 100 pessoas no mundo. Isso afeta a maneira como uma pessoa se comunica e como ela experimenta as coisas e relações ao seu redor. As pessoas do espectro autista têm diferenças em quatro áreas. Esses são:

Interação social - o modo como um adulto ou criança brinca, interage e desenvolve relacionamentos. Por exemplo, dificuldade em interpretar sinais de emoções e protocolos de comportamentos sociais.

Imaginação social - isso pode incluir uma pessoa que tenha um interesse especial, quase uma obsessão, e atenha-se a uma rotina extremamente fixa e que rejeita profundamente se adaptar a qualquer mínima mudança.

Comunicação social - tendo pouca ou nenhuma fala ou atraso no desenvolvimento da linguagem, ou compreendendo a linguagem muito literalmente.

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