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Dois documentários, e não ficções, alavancaram os cinemas dos EUA neste verão

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 Fred Rogers e Ruth Bader Ginsburg.
Fred Rogers e Ruth Bader Ginsburg.

Neste verão, um número impressionante de espectadores norte-americanos escolheu heróis mais silenciosos em meio ao barulho da Marvel. “Won’t you be my neighbor?” (“Você não será meu vizinho?”, em tradução livre) e “RBG”, são duas histórias reais e inspiradoras que já arrecadaram US$ 15 milhões nas bilheterias sem socos, lasers e piadinhas. São os maiores sucessos desse verão nos Estados Unidos até o momento. A primeira apresenta a vida e a filosofia do apresentador Fred Rogers, do programa “Mister Roger’s Neighborhood”, criado por ele para crianças. A segunda história, conta a vida e carreira de Ruth Bader Ginsburg, Juíza Associada da Suprema Corte dos Estados Unidos, que tornou-se conhecida por opiniões firmes e dissidentes dos colegas.

Bom para eles - e bom para os cineastas independentes também, que confiaram na ânsia do público por histórias sobre a verdadeira coragem, e não com fórmulas clássicas de histórias em quadrinhos. Ginsburg se formou com honras em sua faculdade de direito, na maioria do sexo masculino, enquanto criava uma criança e cuidava de seu jovem marido com câncer. Aos 85 anos, ela faz flexões diárias para se manter forte o suficiente para lutar contra o conservadorismo culturalmente fora de sintonia do tribunal. O filme é das diretoras Betsy West and Julie Cohen .

Já Fred Rogers, iniciou uma luta nos bastidores do programa e conseguiu convencer os executivos do canal PBS de que as crianças mereciam uma programação emocionalmente inteligente. Ele falou honestamente com seus jovens espectadores sobre temas como morte, divórcio e até assassinato, no dia seguinte à morte de Robert Kennedy. A ironia é que hoje a voz de Rogers é dirigida aos adultos. Em sua estréia no Sundance, o diretor Morgan Neville descreveu “Won't Be Be My Neighbour?” como uma espécie de “terapia”. Rogers morreu em 2003.

O que chama a atenção nessas reações do público americano é o entusiasmo da multidão com o gênero documentários, como ocorre com as histórias de vida de Ginsburg e Rogers. São heróis serenos e firmes, que vem chamado mais atenção pela sensibilidade e a ética do que as grandes realizações em si. Ambos sempre tiveram problemas humanos reais e conviveram com isso por uma vida inteira (Fred beirava a anorexia e Ginsburg luta até hoje com a dificuldade de não abrir sua visão sobre a política para o público).