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Você sabe ensinar seu filho a respeitar as diferenças? Talvez não

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Você sabe ensinar seu filho a respeitar as diferenças? Talvez não

Você é uma pessoa que detesta racismo, discriminação, preconceitos e outras formas de desqualificação de outro ser humano? Então preste atenção aqui porque, mesmo querendo fazer o certo ao criar seu filho, você pode estar transmitindo à criança toda uma gama de discriminações sem saber. Quando, por exemplo, a criança aponta para uma pessoa na rua com aparência diferente, a maioria dos pais corre para dizer que todos somos iguais, que o outro tem cor diferente “mas ele é uma pessoa igual a você”. O lance do “mas” ou dizer que o outro é um ser humano igual a você, segundo Po Bronson e Ashley Merryman, autores de “Filhos – Novas Ideias sobre Educação”, são uma maneira de você transmitir preconceitos que você nem julgava ter.

Não, as pessoas não são iguais e fingir que não existem diferentes cores de pele, etnias e religiões pode ter o efeito contrário do que você imaginava. Deixa a criança confusa e com tendência a padronizar todas as diferenças sob o ponto de vista etnocêntrico dela própria, como, por exemplo, achar que determinada etnia não sofre racismo só porque ela não experimenta isso na vida dela. A criança acaba criando os próprios padrões de superioridade em relação a todos, porque é isso o que a construção do ego e superego faz.

“É tentador acreditar que, pelo fato da nossa geração ser tão diversa, as crianças de hoje vão crescer sabendo como lidar com gente de todas as raças. Mas muitos estudos mostram que isso é mera fantasia”, afirmam os autores.

Uma das pesquisas americanas em que os autores se baseiam mostra que mesmo em escolas modernas, com gente de várias origens, apenas de 8% a 15% dos estudantes consideram seu melhor amigo alguém de outra etnia. O que, segundo os autores, poderia ser resolvido de forma simples: conversando desde cedo sobre o assunto. Explicando, por exemplo, que existem peles claras e outras escuras, e que pessoas com qualquer uma das cores dão ótimos médicos ou engenheiros. Ou que mulheres com penteados diferentes do tradicional cabelo escorrido (dreads, afro, etc) podem ser advogadas super competente, como outro exemplo.

Uma outra pesquisa americana mostra que 75% dos pais que se consideram brancos nunca falam sobre diferenças étnicas com os filhos. E quando começam, pode ser tarde demais: depois dos 8 anos é bem mais difícil alterar preconceitos. Isso porque, segundo Aaron Becker, pai da Terapia Cognitiva-Comportamental, nós somos seres que temos o poder de se autodeterminar, mas isso é bem difícil e requer, normalmente, uma ajudinha de um psicólogo. Antes dos 7 anos, somos capazes de construir nossas crenças a respeito de tudo o que existe. E essas crenças formam verdadeiros esquemas mentais do tipo: se conto uma piada e ninguém ri é porque não sou engraçado; se vejo uma pessoa negra sendo agressiva com alguém, então os negros são seres agressivos. E por aí vai. Os pais têm a missão de ajudar seus filhos a formar crenças socialmente construtivas para que qualquer discriminação possa ser erradicada nas gerações futuras.