CURIOSIDADES

Que bonita sua roupa. Que roupinha mutcho loca.

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Por Fábio Chap

"Nela é tudo é tudo escravizado. Não rende nem um centavo. Mas agrada quem lucrar."

Que bonita sua roupa. Que roupinha mutcho loca.

E acaba aí, no título, a possibilidade de qualquer paródia pra se falar sobre o seguinte assunto: trabalho escravo no Brasil e no mundo.

É inconcebível que em pleno século 21 as democracias ainda deem de cara com trabalho escravo, mas acontece e acontece em números alarmantes. Falaremos mais sobre os dados daqui a pouco.

Pra começar esse artigo é importante que fique clara a definição de trabalho escravo no Brasil. A lei brasileira determina que as seguintes condições, combinadas ou não, podem caracterizar trabalho escravo:

- Condições degradantes;

- Jornada Exaustiva;

- Trabalho forçado;

- Servidão por dívida.

Não raro, vemos no país que aboliu a escravidão em 1888, ou seja, no Brasil, trabalhadores operando algemados à máquinas-de-costura, chantageados com dívidas imensas e ameaças diversas

De 1995 a 2015, 49.816 pessoas foram libertadas da escravidão no Brasil. Fonte: http://reporterbrasil.org.br/dados/trabalhoescravo/

O país com o pior índice de escravidão no mundo é a Mauritânia. Estima-se que 4% da população do país esteja em condições de escravidão. Em números absolutos a Índia impressiona: são 14 milhões de pessoas em condição de escravidão. O segundo lugar, China, acumula 3 milhões de pessoas nessa situação. O Brasil estima ter 155 mil pessoas ainda trabalhando em regimes análogos à escravidão. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_Global_de_Escravid%C3%A3o

Dito isso, o assunto em pauta é a roupa que eu, você e todos nós usamos. Será que temos comprado nossos 'panos' em lojas envolvidas até o pescoço em trabalho escravo?

Bom, a resposta pode ser que sim.

Que bonita sua roupa. Que roupinha mutcho loca.
Que bonita sua roupa. Que roupinha mutcho loca.
Que bonita sua roupa. Que roupinha mutcho loca.

 

De acordo com o app 'Moda Livre', que avalia o quanto as marcas se comprometem em combater o trabalho escravo, marcas como Animale, Barred's, Besni, Brooksfield, Colombo, Colcci, Centauro, Demillus, Forum, Forever 21, Levi's, Lilica & Tigor, M. Officer, Puma, Tng e Triton não têm nenhum comprometimento no combate ao trabalho escravo. As argumentações para o descomprometimento são as mais diversas, o resultado final é o mesmo: precarização das condições de trabalho; em consequência, não raro é o caso de flagrante de trabalho escravo em oficinas ligadas às marcas citadas.

Confira nesse link 20 empresas já flagradas fazendo uso de trabalho escravo na indústria têxtil: http://bemblogado.com.br/site/20-marcas-da-industria-textil-que-foram-flagradas-fazendo-uso-de-trabalho-escravo/

Já marcas como Adidas, C&A, Carinhoso, Dudalina, Malwee, Nike, Reebok são reconhecidas pelo profundo comprometimento com o combate ao trabalho escravo. Através de monitoramento de suas oficinas e comunicação transparente de suas políticas.

Há 4 pontos que são cruciais para quem quer fazer alguma coisa pra mudar esse cenário. Faça a você mesmo as seguintes perguntas:

1 - A marca da qual eu compro minhas roupas tem políticas claras quanto a combater o trabalho escravo na cadeia de fornecimento?

2 - A marca da qual eu compro minhas roupas tem ações de monitoramento para fiscalizar os fornecedores de roupas?

3 - A marca da qual eu compro minhas roupas comunica os clientes o que tem sido feito para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo?

4 - A marca da qual eu compro roupas tem histórico de envolvimento em casos de trabalho escravo?

Fazermos a nossa parte é menos difícil do que parece. Quem está acorrentado nos porões em pleno século 21 agradece.