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'Efeito Felipe Neto' catapulta canal de funcionário aos 2 milhões de inscritos

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Qual o tamanho do poder do maior youtuber do Brasil depois de Whindersson Nunes, também conhecido como Felipe Neto? Em um não tão breve resumo… Felipe é um dos pioneiros dos vlogs no Brasil, com seu “Não faz sentido!”, criado em 2010. Saturou sua imagem de revoltado com óculos escuros e, a partir de 2012, focou-se na discutível aventura como empresário à frente da rede de canais Paramaker, fundada um ano antes. Em 2015, desistiu de tudo e voltou a focar em sua carreira na frente das câmeras, já desacreditado. Nos altos e baixos, um fã que virou funcionário e, depois, amigo nunca sairia de sua vida.

'Efeito Felipe Neto' catapulta canal de funcionário aos 2 milhões de inscritos

Bruno Correa, o Platina, e Felipe Neto - Reprodução do Instagram

Felipe Neto reinventou sua imagem sob a hábil tutela do ex-diretor da TV Globo João Pedro Paes Leme e do produtor audiovisual Cassiano Scarambone, ambos sócios do youtuber na agência Take4 Content - o quarto sócio é seu irmão Luccas Neto, o que mergulhou em uma banheira de Nutella e hoje tem o canal que mais cresce no país. Felipe tornou-se, hoje, além do youtuber mais odiado entre colegas youtubers, o maior influenciador brasileiro na internet.

Sua influência é tão grande que conseguiu alçar o irmão à fama. Luccas Neto está prestes a alcançar 10 milhões de inscritos (talvez já tenha alcançado enquanto você lê isto), tornando-se o 10º do Brasil no quesito, à frente de nomes com muito mais tempo de janela como Manual do Mundo, de Iberê Camargo, EU FICO LOKO, de Christian Figueiredo, e - pasmem - Galinha Pintadinha. Luccas, que começou fazendo vídeos raivosos contra colegas de YouTube, a maioria detratores de seu irmão querido, mudou radicalmente seu conteúdo para crianças e pré-adolescentes. Passou a falar de-va-ga-ri-nho, pra to-do mun-do en-ten-der e apostou num sorrisão com olhos sempre abertos que lembra o do sinistro palhaço It do filme A Coisa, de 1990, inspirado na obra de Stephen King.

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Ái, que medo! Luccas é o da direita - Reprodução do YouTube

Mas era seu irmão. A transferência de popularidade, ainda mais investindo na nova geração criada pela telinha do celular, era quase natural. A conquista mais impressionante do “efeito Felipe Neto” foi com o canal de Bruno Correa, o Platina, o cara que nunca abandonou o ídolo/chefe/amigo. Você pode não conhecê-lo, mas Platina, um rapaz grandão e simpático criado em Magé, na região metropolitana do Rio de Janeiro, acaba de alcançar dois milhões de inscritos em seu canal, aproximando-se rapidamente de canais consagrados como o dos Barbixas e o de Mauro Nakada.

Bruno criou seu canal, PlatinaKH, em 2011 para falar de games. “KH” é referência ao RPG Kingdom Hearts, da Square Enix, que Bruno estava tentando “platinar” - o equivalente a zerar, mas vencendo todo e qualquer desafio. No mundo real, porém, sua vida era atender os clientes da TAM em um guichê de aeroporto. Por ter morado na Alemanha, fala inglês e alemão fluentes. Nas horas vagas, organizava eventos de anime no Rio de Janeiro.

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Imagem do primeiro vídeo de Bruno Correa, publicado em junho de 2012

Em 2012, Bruno largou os guichês para trabalhar na recém-nascida Paramaker, tornando-se funcionário de Felipe Neto. Anos depois, tornou-se um rosto conhecido na TGS Brasil, braço de notícias de games da Paramaker que chegou a quase um milhão de inscritos quando isso era muito, muito difícil.

Bruno só foi para a TGS Brasil no começo de 2015, logo depois do principal rosto do canal ter saído de lá. Guilherme Damiani, a grande estrela na frente das câmeras, mudou-se para São Paulo no fim de 2014 para dedicar-se apenas aos próprios fãs. Com isso, deu fim à “Era de Ouro” da TGS, pelo menos no coração dos fãs do canal. Ou seja… Quando Platina finalmente foi para o principal canal da Paramaker, seu grande sonho, já não havia tanto para capitalizar. No fim do mesmo ano de 2015, Felipe Neto deixaria o comando da empresa e o canal seria extinto.

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Damiani, Pit e Snaizen na "Era de Ouro" da TGS Brasil - Reprodução do YouTube

Platina dividiu os últimos meses de TGS à frente e por trás das câmeras, entre outros, com Robson Vinuto, o Snaizen, e Juliano Eustáquio, o Pit, remanescentes da “formação original” do canal. Quando Platina, Snaizen e Pit foram demitidos, no fim de 2015, cada um seguiu seu caminho. Mas Platina foi o único a fazer um vídeo emocionado sobre o fato, explicando a situação e fazendo questão de dizer, com lágrima nos olhos, que Felipe Neto não era o nome a ser culpado. “Por favor não atirem pedras”, disse, antes de contar o quanto aprendeu com o ex-chefe (abaixo, depois dos 4m05s).

Agora pode ser o momento em que vocês esperam que eu diga o quanto Platina só fez sucesso por causa de Felipe Neto. Nem pensar. Em 2016 ele voltou a focar-se em seu canal e acabou tendo o conteúdo impulsionado pelos vídeos do fenômeno Pokémon GO, o joguinho de celular baseado no sucesso do joguinho de Gameboy dos anos 1990. Virou referência do assunto do YouTube, só superado em qualidade por Leon Martins e seu Coisa de Nerd.

Sua série “1 ovo por dia” - com variações sobre o mesmo tema - foi um sucesso de views e inscritos, fazendo seu canal andar com as próprias pernas, sem ajuda da fama da TGS ou de amigos conhecidos. Bruno saía pelas ruas da Tijuca, onde morava à época, para chocar os ovos virtuais do joguinho. No meio do caminho, falava sobre a própria vida, como sobre o dia em que ele levou um tiro. Os fãs descobriram que tinha morado na Alemanha, que falava alemão fluente e, por isso, só conhecia os nomes dos Pokémon nessa língua. Falava também sobre seu desemprego. Foi a primeira vez que saiu de um estúdio improvisado no quarto para gravar na rua, o que deu bastante experiência na frente das câmeras.

Até que…

'Efeito Felipe Neto' catapulta canal de funcionário aos 2 milhões de inscritos

Felipe e Bruno caçando Pokémon - Reprodução do YouTube

Felipe Neto começou a aparecer nos vídeos da caçada Pokémon de Bruno. Era sua fase de retomada de na frente das câmeras após a aventura apenas como empresário, já voltando a recuperar seu sucesso e até superá-lo. Bruno, que se manteve fiel e próximo, começou a ganhar as rebarbas dos fãs do patrão. Sim. Bruno tornou-se, de novo, funcionário de Felipe Neto.

O canal de Bruno, PlatinaKH, passou a ser gerido pela Take4 Content e, assim como os dois principais canais da casa, “Felipe Neto” e “Luccas Neto”, passou a ser divulgado pelo nome do dono, “Bruno Correa”. Ficou em 7º na lista dos 10 canais brasileiros que mais cresceram em novembro, entre nomes muito conhecidos até para quem não acompanha o YouTube de perto. Abaixo, uma peça da Take4 destacando os próprios canais em amarelo ("Correa" está grafado incorretamente com um "i" a mais).

'Efeito Felipe Neto' catapulta canal de funcionário aos 2 milhões de inscritos

O Pokémon GO levou o canal de Bruno ao patamar de 500 mil inscritos. Mas o hype do jogo acabou. A partir daí, sim, podemos ver o impressionante e arrasador “efeito Felipe Neto” no YouTube. Bruno virou o terceiro “irmão Neto”, sem ligação de sangue mas com presença garantida na mansão dos irmãos, chamada “Netoland”. Virou o equivalente a Ringo Starr para John Lennon e Paul McCartney nos Beatles (perdão pela heresia).

'Efeito Felipe Neto' catapulta canal de funcionário aos 2 milhões de inscritos

Perdão mais uma vez!

Como Luccas Neto, Bruno também passou a falar de-va-ga-ri-nho, cheio de “Geeeenteeee…” para chamar atenção das crianças e nenhum palavrão a não ser os acidentais, que são recurso de humor para surpreender os pequenos, o que dá a entender que passou por um mínimo de treinamento. Ou sacou e absorveu bem de perto a linguagem dos Irmãos Neto para replicá-la. Para os mais velhos que não querem dar o play nos vídeos deles, é mais ou menos como a Xuxa falava para seus “baixinhos” nos anos 80. Como se fosse uma criança gigante. Funcionava, e ainda funciona.

'Efeito Felipe Neto' catapulta canal de funcionário aos 2 milhões de inscritos

Bruno, à direita, o "terceiro Neto" - Reprodução do YouTube

O crescimento no número de inscritos é tão rápido que dá a impressão de que, hoje, Felipe pode alçar qualquer um ao sucesso. Há seis meses, Bruno tinha 592 mil inscritos. Três meses depois, ganhou cerca de 300 mil inscritos, pulando para 916 mil no total. De setembro em diante, com as aparições de Bruno nos vídeos do canal Irmãos Neto e nos canais de cada um dos irmãos, foi tudo muito rápido: 1,5 milhão há 2 meses, 1,7 milhão há 30 dias, 1,8 milhão há duas semanas e 2 milhões (e contando) agorinha no fim de novembro (Fonte: VidStatsX).

Goste você ou não do Felipe Neto, é impossível não se emocionar junto com Bruno no que ele conta ter sido o dia mais legal de sua vida. Bruno Correa está no elenco do show que Felipe Neto está levando aos teatros do Brasil, a Megafest, e contou em vídeo a história de sua estreia. Em vídeos antigos, dizia que seria incrível terminar o ano com 1 milhão de inscritos. Hoje, é impossível prever o limite de seu sucesso online.