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O inesperado virando realidade

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O inesperado virando realidade

Em um futuro próximo, casas, prédios e pontes poderão fazer suas próprias manutenções como se fossem seres vivos, e provavelmente não precisaremos mais matar animais para comer carne. O que estas transformações tem em comum? Holanda. Parece ficção cientifica? Não, isso já é real!

Estas maravilhas que poderão mudar o mundo saíram deste pequeno País, onde o ditado “tamanho não é documento” demonstra a capacidade humana em transformar o impossível em possível. Vamos ver o que a Holanda está oferecendo de inovações para o nosso planeta?

Primeiro vamos falar sobre o concreto, que é o material mais consumido do mundo, apenas atrás da água, segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, e este está para passar por uma grande transformação... Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, desenvolveram um material chamado de bioconcreto, capaz de regenerar suas próprias rachaduras. E como isso foi possível?

A resposta foi encontrada na própria natureza, por intermédio da bactéria bacillus pseudofirmus, encontrada em lagos congelados na Rússia, que é capaz de produzir calcário.

Esta bactéria, quando incorporada à mistura de concreto, é capaz de produzir carbonato de cálcio e naturalmente é capaz de selar as fissuras existentes, poupando mão-de-obra e gastos com manutenção na construção civil.

De acordo com Henk Jonkers, um dos responsáveis por esta descoberta, o difícil foi encontrar a bactéria ideal para isso. No entanto, esta bactéria é resistente a ambientes hostis e é capaz de sobreviver por mais de 200 anos nos edifícios, permanecendo em estado latente até ser estimulada a iniciar o trabalho de restauração do concreto.

As bactérias só ficam ativas quando entram em contato com água e oxigênio — exatamente o que acontece quando uma fissura começa a se formar e, em apenas algumas semanas, estas bactérias se multiplicam, produzindo carbonato de cálcio, fechando assim as fissuras.

Para a produção do bioconcreto, são utilizados 02 aditivos: os esporos do bacillus e nutrientes de lactato de cálcio, que são adicionados separadamente em grãos de argila expandida.

O bioconcreto pode economizar bilhões de dólares na manutenção de estruturas e segundo a HealCon, organização que pretende promover o uso de novo material, só na Europa são gastos anualmente US $ 6,8 bilhões (mais de R$ 22 bilhões) para reparar edifícios enfraquecidos.

Agora, saindo do concreto e entrando 100% na carne que tem 0% relação com a matança de animais, um cientista holandês criou um ‘hambúrguer de laboratório’ a partir de células-tronco de vaca. O Biólogo Mark Post, da Universidade de Maastricht, na Holanda tem agora como maior desafio dar mais cor e sabor à proteína 'high tech' que ele inventou.

Desde sua descoberta, abriu-se uma nova onda de startups pelo mundo, reinventando o negócio bilionário da proteína, com promessa de mais sustentabilidade à mesa e livre de sofrimento animal.

Apesar de criado in vitro, o hambúrguer é bovino. O biólogo explica que o produto é feito a partir de células musculares retiradas de uma vaca. Da primeira versão apresentada lá em 2013, a equipe do cientista já avançou e começa a dar mais sabor à proteína high-tech.

O avanço da tecnologia deve favorecer a implantação do hambúrguer de laboratório no mercado em até quatro anos. A expectativa é que o tempo de cultivo e o preço caiam nos próximos anos.

O desafio para todas as empresas não é conseguir produzir a carne a partir de células-tronco individuais, mas fazer o produto ter um preço competitivo no mercado.

Estas e outras mais descobertas que são públicas, aos poucos estarão fazendo parte das nossas casas e das nossas mesas, e muito provavelmente veremos grandes impérios corporativos, que vivem do atual ecossistema, se desmantelarem caso não sigam na criação de novas verticais em suas organizações a fim de acompanharem estas mudanças.

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Artigo publicado na Revista Vero em 28 de Março de 2018

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