COMUNICAÇÃO

VIVA JULIO!

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Infelizmente não tive o privilégio de trabalhar com o Julio Ribeiro.

Aprendi a admira-lo da forma mais difícil: concorrendo com ele e sua talentosa Talent.  Tarefa árdua, marcada por vitórias e derrotas, mas sempre engrandecedora pelo padrão de qualidade que era estabelecido com sua participação.

Apenas numa ocasião tive a oportunidade de manter um relacionamento diferenciado com o Julio e que serviu para demonstrar a dimensão do ser humano que existia por trás daquele grande profissional.

Foi no final da década de 90 quando minha filha mais nova, na época com 14 anos, recebeu um diagnóstico que indicava grande possibilidade de estar com um tumor ósseo na perna esquerda.

Seguindo a orientação médica, ela foi imediatamente submetida a uma cirurgia de coleta de material para que fosse realizada a biópsia. Começava aí os quinze dias mais angustiantes da minha vida já que esse era o prazo necessário para que o resultado ficasse pronto.

Havia passado menos de uma semana daquele impotente período de espera, quando recebi uma ligação do Julio Ribeiro. Com sua voz tranquila comentou ter tomado conhecimento do problema que minha filha vinha enfrentando e que por isso fazia questão de compartilhar comigo alguns casos similares de gente próxima a ele que havia enfrentado e conseguido superar esse tipo de desafio.

Não foi uma conversa longa, mas para mim foi contundente em termos de geração de energia positiva. Quando desliguei percebi que estava comovido. Nunca imaginaria que pudesse ser foco de tanta generosidade vindo de alguém tão distante e de forma tão espontânea

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A ligação do médico chegou quando eu almoçava com um cliente. A notícia era tão boa que não contive um grito de alegria acompanhado por um sonoro palavrão. Pedi licença e liguei de imediato para minha mulher, meu irmão e para alguns amigos mais íntimos que vinham acompanhando de perto aquele pesadelo.

Foi quando me recordei da conversa com Julio Ribeiro e fiz questão de ligar para ele ainda do restaurante que me encontrava. Contrariando sua elegância contumaz, sua reação foi de tanta euforia que tive a impressão que estava pulando. Conversamos um pouco sobre os exames e nos despedimos marcando um encontro que nunca aconteceu.

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Como o restaurante era perto da agência, fiz questão de voltar caminhando apesar da chuva fina que caia. A sensação é que haviam tirado uma tonelada dos meus ombros.

Ao entrar na minha sala vi logo uma grande caixa sobre a mesa.

Ao me aproximar percebi que era uma caixa de Moet Chandon. Acompanhava um cartão. Era todo branco. Na parte superior, impresso, o nome do remetente. No meio, apenas uma frase manuscrita:

"VIVA A VIDA"

Essa era a marca do Julio Ribeiro: uma frase rica em significados, mas de uma simplicidade encantadora.

VIVA JULIO!