Esqueceram de mim

Esqueceram de mim

O óbvio
Collection O óbvio
Esqueceram de mim

Pesquisas de intenção de voto para o Senado, em Minas Gerais, apontam a candidata Dilma Rousseff como a favorita de 26% do eleitorado. O segundo colocado – na realidade, dois candidatos empatados – tem 15%. Uma vantagem confortável para a “ex-presidenta”. Tudo seria normal, tudo seria muito bom, não estivéssemos tratando de Dilma Rousseff. Permita-me repetir, pois quero estar seguro que o leitor entenda a gravidade da coisa: na disputa para o Senado Federal em Minas Gerais DILMA ROUSSEFF lidera as pesquisas de intenção de voto!

Quando tento encontrar uma explicação para o risco de eleição dessa senhora, minha mente fica turva e só consigo ouvir frases desconexas e trechos aleatórios dos psicodélicos discursos proferidos por ela enquanto ainda residia no Alvorada. Se bem que, trechos aleatórios e frases desconexas constituem o todo de qualquer manifestação verbal da candidata. Sendo assim, não posso precisar se são realmente aleatórios e desconexos ou se estou pensando num evento único – se o leitor ficou confuso, tanto quanto eu, aqui há algo que pode ajudá-lo a reestabelecer o foco.

Continuando, do pouco que posso fazer para clarear a questão, decido acusar a multidão de cidadãos e cidadãs – utilizo os dois gêneros; singela homenagem à personagem central desta trama – candidatos ao mesmo posto. Desta feita, são quinze (15) nomes dispostos ao sacrifício de ocupar uma confortável cadeira na câmara alta do Congresso. De onde vieram e quem são, poderia ser assunto de um Globo Repórter. Há os de quem nunca ouvi falar, e outros que duvido mesmo que existam no mundo real – prefiro crer serem personagens fictícios, necessários apenas para preencher o horário eleitoral na TV.

Veja, ainda que estejam em jogo duas vagas, não me lembro de tanta gente embolada disputando um segundo lugar. A coisa sempre envolveu no máximo quatro candidatos com alguma chance, os demais contavam com votos da família e davam-se por satisfeitos. Para ilustrar: nas eleições de 2002, o último colocado (14º) teve impressionantes 2.408 votos ou 0,01% do total de votos válidos. Hoje, o candidato na mesma posição – embora haja um empate triplo nesse perímetro – conta com 2% das intenções.

Aproveitando-se do cenário de terra arrasada que tomou conta da política nos últimos anos, esses aventureiros se jogaram no processo eleitoral e que se lasque o povo, desnorteado e obrigado a escolher entre tantos números como quem folheia o catálogo telefônico sem saber o que procura. Um batalhão de ilustres desconhecidos se engalfinhando para ver quem irá se refestelar naquele carpete azul – azul royal, me conta uma reportagem da revista Época.

Caso alguém tenha ficado “chateadinho” porque chamei os concorrentes daquela dona de desconhecidos, permita-me lembrar que alguns deles, em suas campanhas na TV, pedem a gentileza de ser a segunda escolha do eleitor amigo. Não é fantástico? Numa campanha onde o objetivo é se mostrar, ser lembrado e causar comichões nas pontas dos dedos dos eleitores diante da urna no dia 07/10, para que: VOTEM EM MIM!, o sujeito se apresenta, todo humilde, em rede nacional, usando dinheiro do próprio telespectador e pedindo, educadamente, para ser sua segunda opção? Ora, quem se presta a tal papel não merece o voto da própria mãe!

Quem chegou até esse parágrafo, terá notado que, de princípio, me propus a criticar a ilustre candidata Dilma Rousseff, mas, até aqui, só apontei dedos para seus oponentes. Em minha defesa alego que estes mesmos oponentes também ignoram Dilma. Por que sequer tocam no nome da criatura que levou o Brasil à breca em seu aterrorizante período à frente da presidência? Nenhum dos candidatos teve a decência de lembrar aos eleitores de sua perigosa presença na campanha, nem mesmo tentaram surfar a onda anti-PT que inunda o estado, onde o petista Pimentel vê a popularidade evaporar dia após dia, tal qual os servidores sem salário veem suas contas vencendo mês a mês. Parecem realmente satisfeitos que ela já tenha posição assegurada, cabendo aos demais o honroso segundo lugar com menos votos que os em branco e nulo – que baterão recordes este ano.

Como ninguém se colocou como opção ao Partido dos Trabalhadores, preferindo fingir bom mocismo e apostar na sorte, numa eleição de apenas 30 dias, sem tempo hábil para se fazer notar num estado com a quantidade de municípios que tem MG, Dilma – “Dilma Guerreira” martela em nossos ouvidos o jingle de campanha – tem vantagem por ser a mais conhecida e por ser herdeira dos votos que pertencem ao PT historicamente. Vinte e seis por cento são suficientes para concretizar a volta do apocalipse em forma mulher, nos mostra o histórico eleitoral sempre que duas vagas estiveram em disputa.

A candidata, que mal consegue se expressar de maneira inteligível, está à beira de vencer sua 3ª eleição seguida (100% de aproveitamento). Está a meio caminho do lugar comparado por alguns com o “Céu” – melhor que o Céu, eles dizem, pois ao Senado chega-se vivo. Terá oito anos de mandato, com regalias, pompa e circunstância dignas de qualquer parlamentar – estaria, assim, livre para nos prestigiar com o brilhantismo de sua oratória até, pelo menos, 2026. Um prêmio e tanto pelo conjunto da obra legada ao Brasil. A multidão de desempregados aguarda ansiosa pela posse, insiste o petista hipnotizado, quando serão felizes de novo.

Confirmando-se os alertas, sobrará, ao mineiro racional, o desprezo pelos 13 – que número cabalístico, não! – candidatos que ficarem de fora. Pois terão sua parcela de culpa, pelo comodismo e pelo silêncio cúmplice, por nunca terem gritado que do lado de lá estava ELA. E então, já não será possível ressuscitar aquele outro, de quem tomo emprestado a frase de encerramento, com uma pequena modificação: Que Deus tenha misericórdia deste estado!    

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