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9 incríveis descobertas de uma pesquisa que começou há 70 anos com 5.362 pessoas

Alexandre Ribeiro
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Alexandre Ribeiro

E como o mundo inteiro se beneficiou desse estudo!

9 incríveis descobertas de uma pesquisa que começou há 70 anos com 5.362 pessoas

Em 1946, um cientista britânico chamado James Douglas embarcou em um ambicioso projeto de investigação: ele queria estudar cada bebê nascido no Reino Unido, na primeira semana de março. O motivo? Ele queria compreender a mudança na fertilidade no longo prazo, na população nacional (estudar o boom de nascimentos de bebês depois da II Guerra Mundial) para encontrar formas de melhorar a saúde e os cuidados de mães e bebês. Simples assim.

De 1946 a 2016 vão-se 70 anos e o estudo, que acompanhou a vida de 5.362 pessoas, hoje comemora sete décadas de incontáveis descobertas científicas sobre comportamento, saúde e genética. Desse total, apenas três mil ainda estão vivos. E pensar que, no levantamento inicial, Dr. Douglas contou com 13.687 mãezinhas e seus filhinhos.

O Tech Insider reuniu desse estudo único no mundo (a maior pesquisa longitudinal do mundo) as grandes conclusões. São incríveis:

#1 Bebês são muito caros

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Em 1946, ter um bebê no Reino Unido custava o equivalente a seis semanas de salário. Para as mulheres de classe alta, os gastos eram 20 vezes mais altos. No entanto, todas as novas mamães se viam obrigadas a gastar muito com o enxoval dos bebês e esse relatório cai bem em cima da mesa de quem estava projetando o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. Desde então, o governo britânico passou a custear os cuidados da maternidade das populações mais pobres.

#2 Parir dói, mas apenas 20% das mulheres tomavam analgésicos

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Apenas 20% das mães pesquisadas tomaram analgésicos durante o parto. O motivo? O mesmo que persiste até hoje em alguns hospitais públicos brasileiros: médicos que fazem pouco caso das dores da parturiente. Quando muito não faltam com o respeito à mãezinha em trabalho de parto. Essa estatística provocou a fúria da população inglesa e uma lei de acesso aos analgésicos foi criada especialmente para esses casos. A Inglaterra dos anos 40 não era muito diferente do Brasil de hoje e a norma acabou caindo. No entanto, dez anos depois virou norma e praxe.

#3 O ar que as crianças respiram importa

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Em 1952, uma grande nuvem de fumaça de poluição se formou sobre Londres e estima-se que matou cerca de 4 mil pessoas. Em 1956, o parlamento londrino aprovou o Clean Air Act, que mudou a forma como os britânicos respiravam para sempre com uma série de proibições para a indústria e para a população. Os médicos já sabiam que a poluição era particularmente ruim para crianças e realmente poderia matá-las. Mas os bebês de Douglas, como são chamados todos que participaram da pesquisa, permitiram os cientistas quantificar e acompanhar a relação exposição-doenças.

Douglas descobriu que as crianças continuaram a sofrer os efeitos da poluição por cerca de cinco anos após o Clean Air Act ser aprovado.

#4 A pobreza é ruim para sua saúde

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Em 1946, a Grã-Bretanha estava começando a perceber que ser pobre fez as pessoas menos saudáveis, mas os primeiros resultados do estudo conseguiu revelar e quantificar esta conexão. A mortalidade infantil era maior nas classes mais pobres da população e sofriam muitas carências vitamínicas em comparação com as mais ricas, mesmo com ajudas governamentais.

#5 A pressão arterial elevada começa cedo

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Na década de 1980, quando as “crianças de Douglas” atingiram a meia idade, os problemas causados pela pressão arterial elevada foram se tornando bem claros. As pessoas com pressão arterial elevada haviam crescido em famílias mais pobres e pesavam mais - e mais incrível – haviam nascido com o menor peso. Ou seja: pressão alta começa na infância.

#6 Há uma conexão surpreendente entre a menopausa e inteligência

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Descobriu-se uma correlação estranha: Meninas que tiveram os melhores testes de inteligência na infância acabaram alcançando a menopausa mais tarde do que as que não foram tão bem.

Os pesquisadores acreditam que isso é porque o cérebro também produz os hormônios que moldam a vida reprodutiva da mulher. Um cérebro mais desenvolvido tanto poderia mostrar inteligência superior cedo e produzir hormônios por mais tempo, embora isso seja apenas uma hipótese. O estudo não pode explicar o que esta correlação observada realmente significa.

#7 Três testes simples podem prever a morte precoce

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Quando o pessoal de Douglas alcançou os 53 anos de idade, eles foram convidados a fazer três coisas: apertar algo com a mão o máximo que conseguiam, se levantarem de uma cadeira o mais rápido possível e ficar de pé numa perna só, com os olhos fechados, durante o tempo máximo que aguentavam.

Uma dúzia de anos depois, os pesquisadores descobriram que as pessoas que tiveram maior dificuldade com esses testes encontraram mais cedo a morte, mesmo tendo estilos de vida semelhantes aos que se saíram bem no exame.

Os resultados significam os médicos podem ser capazes de desenvolver testes de rastreio simples para ver quem precisa de mais atenção médica à medida que envelhecem.

#8 Infância importa para toda a vida

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Três décadas após o início do estudo, os pesquisadores descobriram que os “bebês de Douglas” ainda estavam sendo afetados pela forma como eles tinham crescido. Homens que tiveram infância difícil, de pouco recursos, estavam se encontrando mais cedo com a morte. No entanto, as mulheres, mesmo as de classes mais baixas, estavam se saindo bem porque conseguiram aproveitar melhor as políticas de governo para Educação e Saúde. Na verdade, estavam indo melhor do que os homens de classes altas.

#9 O pior ainda está por vir

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Pesquisadores fizeram uma lista de 15 doenças crônicas, que vão desde obesidade e pressão arterial elevada a problemas de osteoporose e de saúde mental. Em seguida, entre 2007 e 2011, eles descobriram que 85% dos membros do estudo tinham pelo menos uma condição crônica. Metade tinha, ao menos, dois problemas de saúde.

Num mundo em envelhecimento, que não augura nada de bom: isso pode ser un indicativo do que os pesquisadores chamam de "um indicador precoce de um tsunami de doenças" que vamos enfrentar nos próximos anos. Felizmente, agora se sabe como evitar várias doenças.

Se quiser saber mais sobre o maior projeto de estudo humano do mundo, a autora Helen Pearson está lançando o livro "The Life Project: a história extraordinária de 70.000 vidas normais", número que seria o total de pessoas impactadas pelo projeto.

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Por Pilar Magnavita

#ciência #pesquisa #fenomenal