CIÊNCIA

Esses porquinhos clonados estão desenvolvendo órgãos para humanos

Alexandre Ribeiro
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Alexandre Ribeiro

A engenharia genética avança a passos largos, e uma das próximas metas da ciência é conseguir realizar com sucesso os chamados xenotransplantes, ou seja, um método para transportar órgãos entre duas espécies diferentes. No caso do ser humano, o porco é o animal mais compatível, e é por isso que esses bichinhos fofos da foto abaixo (crédito: eGenesis) estão sendo clonados.

Esses porquinhos clonados estão desenvolvendo órgãos para humanos

Ainda há, no entanto, uma série de dificuldades a superar para que os xenotransplantes sejam um tratamento sem riscos. As maiores são a questão da rejeição por parte do corpo humano e a possibilidade de contração de doenças causadas por vírus suínos que se encontram no DNA desses animais.

Um grande avanço foi conseguido recentemente por cientistas da Universidade de Harvard, que fundaram uma empresa chamada eGenesis. Eles criaram porcos livres dos vírus PERVs, que são capazes de infectar células humanas e produzir câncer ou queda do sistema imunológico.

Os porquinhos clonados são resultado da geração de 300 embriões sem traços de vírus PERVs que foram implantados no útero de porquinhas normais (sem mutação genética). Desses 300 embriões, 15 nasceram sem problemas e estão hoje com quatro meses de idade. Bastante saudáveis.

Mas por que isso é importante? Porque é praticamente metade do (longo) caminho. Agora “só” resta tratar da incompatibilidade de órgãos entre as espécies. Esse é o próximo passo, que pode demorar, mas provocará uma revolução na medicina quando o objetivo for alcançado.