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O raríssimo caso dos trigêmeos monozigóticos

Alexandre Ribeiro
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Alexandre Ribeiro
O raríssimo caso dos trigêmeos monozigóticos

Ouvir do médico que você será pai ou mãe de gêmeos já é um choque. A pessoa fica perdidinha, sem nem saber como vai dar conta dos choros, das mamadas, das sonecas... Pois isso, tudo já era novidade demais para a inglesa de Liverpool, Becki-Jo Allen, de 23 anos, que deu à luz não só a duas crianças de uma vez, mas a três: os pequeninos Roman, Rocco e Rohan. Três bebês, três meninos, três rostinhos iguais.

Para a medicina, isso era apenas uma grande coincidência. Casos de trigêmeos idênticos era praticamente um acidente da natureza, quase impossíveis de acontecerem. De tanto ouvir que os garotos eram idênticos, contrariando todas as probabilidades de isso ser verdade, Becki decidiu enviar a um laboratório amostras de DNA das crianças para saber se seria possível que seus filhos fossem frutos de um mesmo óvulo e um mesmo espermatozoide.

O resultado?

Sim, Roman, Rocco e Rohan nasceram de uma única fecundação, de uma única placenta, de um único DNA. Os três são geneticamente idênticos! Um caso para cada 200 milhões.

O raríssimo caso dos trigêmeos monozigóticos

Só para entender:

Humanos costumam gestar um filho por vez. Por isso a natureza deu à mulher dois seios apenas, capazes de prover todo o alimento para que o bebezinho se alimente bem, cresça e se fortaleça. Casos de gêmeos dizigóticos, que vem de dois óvulos diferentes (e, portanto, não idênticos) em fecundações naturais já são o ponto fora da curva nos nascimentos. A relação é de um para 90 partos. São dois irmãos que tiveram a coincidência de nascerem ao mesmo tempo. E a mamãe precisa de uma boa estrutura para dar conta de duas boquinhas sequiosas de leite.

Nesse tipo de gestação, um terço tem sexos diferentes, enquanto dois terços o mesmo sexo. Um em cada um milhão de gêmeos deste tipo têm cores diferentes, mesmo sendo do mesmo pai. Olha... é até possível gêmeos dizigóticos terem pais diferentes e este fenômeno é conhecido como superfecundação heteropaternal. E a ocorrência é possível se a mulher liberar dois óvulos durante o mesmo ciclo e ambos forem fertilizados por dois homens diferentes, como resultado de relações sexuais num intervalo menor que 48 horas, caso em que a mulher poderá engravidar de ambos os homens. O que também é raríssimo!

Tipo essa vietnamita:

A frequência dos gêmeos dizigóticos varia de acordo com a origem étnica (máxima incidência nas populações negras, mínima nas asiáticas e intermediária nas brancas), a idade materna (máxima quando a mãe tem de 35 a 39 anos) e a genética, com uma maior incidência da linha materna que da paterna, ainda que os pais possam transmitir a predisposição.

Quando os bebês são frutos de um mesmo óvulo e de um mesmo espermatozoide, a estatística fica ainda mais rara: um terço apenas de todos os casos de gêmeos (dois por útero).

Por isso o caso de Becki é tão espetacular. Não só porque é uma mamãe jovem como também o óvulo fecundado realizou a façanha de gerar três organismos distintos. Incrível, não? Como os mesmos 23 cromossomos do pai e os mesmo 23 cromossomos da mãe que resultam em apenas um ser humano conseguem também gerar três pessoas diferentes.

A própria Becki confessa que é muito difícil diferenciar os filhos, mas, apesar de serem idênticos, a gestação deixou marcas: são conhecidas como marcas de nascença e aparecem nos trigêmeos como uma manchinha entre as sobrancelhas dos pequenos. A de Roman é um pouco mais escura do que os outros e Rohan tem uma outra marquinha na perna.

Ainda que todo esse caso seja espetacular por si só, o mais interessante, para mim, ainda está por vir: ainda que os pequeninos sejam iguais, eles possuem personalidades muito distintas.

O raríssimo caso dos trigêmeos monozigóticos

Ao jornal britânico Daily Mail, Becki contou que Rohan é o mais chorão. Está sempre gritando, segundo a mãezinha. Rocco é bastante descontraído, mas com doses bem mal-humoradas de vez em quando. Já Roman é geralmente muito reclamão e nunca quer compartilhar nada.

A semelhança genética aparece quando os três sempre tentam pegar o mesmo brinquedo e possuem gostos muito semelhantes para as coisas.

Existe outro caso de trigêmeos idênticos que o mundo do atletismo conhece: o das maratonistas Leila, Liina e Lily Luik, de 30 anos, da Estônia. Elas virão ao Rio neste ano para os Jogos Olímpicos.

O raríssimo caso dos trigêmeos monozigóticos

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Por Pilar Magnavita

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