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Pesquisa conclui que altruísmo é mais saudável do que a simples felicidade

Alexandre Ribeiro
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Alexandre Ribeiro

Schopenhauer que me perdoe, mas altruísmo é fundamental. Com a tecnologia que a humanidade dispõe hoje, foi possível que os cientistas Steve Cole e Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), concluíssem que fazer o bem ao próximo e ter isso como um ideal de vida melhora o sistema imunológico e o impulso nervoso no cérebro.

Pois é, Dr. House. Por essa você não esperava.

Os pesquisadores estudaram 80 participantes por meio de ressonância magnética. Eles avaliaram como o cérebro reagia diante de pensamentos de coisas que os deixavam felizes e diante de situações nas quais eles se sentiam prestativos com a caridade. Conclusão: bons samaritanos tinham o sistema imunológico mais reativo a doenças inflamatórias, incluindo as mais graves como determinados tipos de câncer. 

O ponto de partida dos cientistas foi conclusões de estudos anteriores. Teses que se basearam na observação de que, nem sempre uma vida hedonista, cheia de satisfação e prazer, é capaz de estabelecer a saúde nas pessoas. Até pelo contrário: muitas vezes ocasionam doenças pelos excessos.

Steve Cole, por exemplo, já havia descoberto uma relação entre as reações negativas do corpo e alguns padrões genéticos de resposta. Assim: Quando sofremos uma perda, o corpo reage a esse estímulo sentimental. Solta um monte de substâncias no corpo que desencadeiam o tal processo inflamatório. Por que nosso organismo ainda é meio neandertal. Ele acha que, se você está tenso, estressado ou triste, você está sofrendo o ataque de um mamute ou diante de uma situação de risco. Aí o que ele faz? Ativa o sistema imunológico que se prepara para infecções bacterianas e joga a adrenalina lá em cima para você responder melhor ao perigo.

Até aí, a gente já fazia uma ideia!

Mas e quando você se sente bem, cheio de amigos, de barriguinha cheia, sorriso frouxo...? O corpo se prepara para lidar com as interações sociais. E, por incrível que pareça, também aciona o sistema de defesa contra vírus! 

Louco, não?

Ele entende assim: se você está feliz é porque anda interagindo com muita gente, e não com bichos e feridas (como acontece quando você está sozinho e triste), é melhor, então, se preparar para sofrer mais ataque de vírus do que bactérias. Por quê? É da interação social que vem a gripe, a amidalite, a clamídia, etc.

Foi então que os cientistas resolveram testar como funciona o corpo quando temos um sentido de vida não voltado para nós mesmos, mas sim, para o próximo. Como nosso corpo reage quando somos caridosos? Na turma dos altruístas que tinha (e cumpria) um propósito de vida, felizes ou não, o cérebro reagia de modo diferente: o sistema imunológico ficava a postos, mas não reagia desesperadamente ao contato humano, reduzindo a reação inflamatória. Ou seja, eles corriam menos risco de desenvolver doenças que nascem das inflamações, como o câncer.

É, nem os pesquisadores sabem ainda explicar a descoberta e porque o cérebro ativa diferentemente genes que controlam o sistema imunológico, com base nesses comportamentos. Mas fica a dica: você pode até ser feliz numa vida hedonista, mas seu corpo não reage muito bem. Ele prefere seus momentos de caridade.

E pensar que alguns mestres da antiguidade como Sócrates, Confúcio, Buda e o próprio Jesus defendiam o mesmo. Que coisa, não? É, meus amigos, fora da caridade não há salvação.

Pesquisa conclui que altruísmo é mais saudável do que a simples felicidade

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Por Pilar Magnavita

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